No Esbá de lua cheia em aquário, de Imbolc, ou como nós chamamos no Conclave, de Candelária, nós fizemos um pequeno ritual de conexão com a carta do Diabo, arcano XV no tarô.
A carta do Diabo simboliza a situação em que estamos diante daquele aspecto de nós mesmos que detestamos encarar. Ele aparece quando estamos imersos naquela parte que não mostramos nem para nós mesmos, ou quando é preciso encarar todas as nossas fraquezas, medos, erros e vontades escondidas dentro do nosso ser. Ele simboliza todas as ilusões que criamos para nos satisfazer e para nos enganar, ou seja, todas as situações e hábitos que não nos fazem muito bem, mas que por algum motivo não conseguimos sair deles. É por isso que na maioria de suas representações temos dois seres humanos acorrentados, amarrados.
O confronto com nossa luz e sombra é um mistério do arcano XV.
É na dualidade que nos tornamos completos. É importante lembrar que nessa dualidade de luz e sombra, nem tudo o que atrapalha nossa vida, por assim dizer, está na sombra. Às vezes o comportamento que está sendo nocivo está na luz, por exemplo: se você é bonzinho o tempo todo com todos e nunca consegue dizer não, esse comportamento não está na sombra. Entender isso é um fator muito valioso quando trilhamos um caminho de autoconhecimento. Para refletir sobre isso, propomos um momento de conexão com essa carta.
Para esse ritual você vai precisar de:
Lâmina do arcano XV (Diabo)
Uma vela clara e uma vela escura
E uma taça com vinho, ou leite, suco de uva (algo que você possa beber depois)
Fósforo ou isqueiro (para acender as velas).
Posicione a vela clara do seu lado direito e a vela escura do lado esquerdo. Ponha a carta do Diabo entre elas junto da taça.
Estenda as duas mãos à sua frente, com as palmas voltadas para cima.
Na mão esquerda, visualize-se em miniatura, mas personificando tudo o que é negativo. Tudo aquilo que você tem vergonha, culpa, que não concorda no seu comportamento.
Acenda a vela escura e repita as seguintes palavras:
Eu me reconheço e honro todas as minhas partes.
Eu me reconheço na luz e na escuridão.
Na outra palma, visualize-se novamente em miniatura, mas irradiando tudo o que é positivo. Todas as coisas belas que você faz, que é reconhecido, que tem orgulho e que você admira em você.
Acenda a vela clara e repita as seguintes palavras:
Eu me reconheço e honro todas as minhas partes.
Eu me reconheço na luz e na escuridão.
Volte para a posição inicial das mãos.
Lentamente, aproxime cada vez mais uma palma da outra, e leve em direção ao peito. Quando elas se tocarem (como numa prece), mescle as duas imagens de si mesmo.
Neste momento, reconheça: você acaba de dar um passo profundo rumo à sua totalidade.
Essa é a fusão das suas polaridades, e você tem a escolha consciente entre o que deseja preservar e o que deseja liberar. Nós temos o poder de escolha.
Agora pegue a bebida nas mãos e repita:
Eu me reconheço e honro todas as minhas partes.
Eu me reconheço na luz e na escuridão.
Faça um brinde e beba o conteúdo do cálice, selando esse pacto consigo mesmo.
Não aquele sequestrado por uma sociedade que teme o saber e renega a própria natureza. Mas o antigo. O ancestral. O visceral. Aquele que tem muitos nomes. Cernunnos, o Deus Chifrudo da natureza selvagem. Pan, o flautista das florestas, cujo riso ressoava em cada prazer carnal. Dionísio, o Deus das Bacantes, do êxtase que rompe as correntes da razão. Exu, o Senhor das Encruzilhadas, que detém a chave para todos os caminhos. Eles são os Tricksters, os mestres da transgressão, os guardiões da dança e do riso, que nos lembram que o corpo é um templo, e o prazer uma dádiva.
Antes da fogueira da Inquisição, a figura do Diabo das Bruxas, era o Mestre Iniciador. Era ele quem, em segredo, sussurrava saberes ancestrais as mulheres, e as convidava a viver deliciosamente. Com o tempo, seus chifres viraram símbolo do pecado, seu nome foi silenciado, e seu riso virou heresia. Afinal, o maior medo dos homens sempre foi a sabedoria das mulheres.
Mas a mentira não matou a verdade. O Mestre não pereceu. Ele ainda está aqui. Ele dança nas encruzilhadas, e continua a sussurrar segredos a quem ousar escutar.
Você está ouvindo?
Nosso Diabo, o Diabo das Bruxas, é uma criatura de contrastes. Bucca, por exemplo, veste duas faces: a luminosa e a tempestuosa. Ele nos mostra a beleza da vida e a crueza da morte, a abundância da colheita e a inevitabilidade do declínio. Trabalhar com ele é aceitar a vida como ela realmente é: um eterno ciclo de dádivas e desafios, de luz e sombra. Ele nos guia para que possamos entender que para se conhecer a luz é preciso atravessar a escuridão. É nessa dança com o caos, nessa rendição à dualidade, que nos tornamos completos.
Mas atenção ao livro que se assina. O Senhor das Encruzilhadas pode abrir as portas do seu caminho, mas também exige que você escolha qual estrada percorrer. Quando ele se põe diante de você, não há como fingir que não o vê ou deixar que o destino decida por você. É preciso escolher, e sustentar o peso dessa escolha. Quando ele aparecer, você bancará suas escolhas ou se recolherá com medo?
No entanto, para quem aceita a travessia, há um prêmio certo: a insubmissão.
Como no Tarô, o Diabo segura as chaves de nossas correntes. Ele ri, não porque nos quer submissos, mas porque sabe que a prisão é feita das amarras que nós mesmos alimentamos: medo, vergonha, negação do próprio desejo. As correntes são frouxas. A qualquer momento, podemos levantá-las e dançar livres. Mas, para isso, é preciso coragem de olhar nos olhos a própria sombra e admitir que nela vive uma parte do nosso poder.
E você? Qual parte sua foi demonizada? Que Diabo dentro de você te traz medo? E se ele for o reflexo do seu próprio poder?
Aos Diabos que vivem dentro e fora de nós, que possamos nos reconectar com o selvagem que arde em nossas veias.
Que todos sejam honrados. Que profanos sejam os teus nomes.
No coração do Hinduísmo, religião de panteão tão diverso e complexo, e que nasceu da antiga cultura védica da Índia, surge um Deus barrigudinho, com uma cabeça de elefante e que atravessa culturas por suas bênçãos de prosperidade e boa sorte.
Lord Ganesha é uma divindade carismática, muitas vezes representado como uma criança, e que não se limitou à cultura hindu, conquistando devotos por todo o mundo. Esse Deus carrega consigo o poder sobre os obstáculos, concedendo aos seus seguidores prosperidade e sabedoria.
Em seu mito, Ganesha é apresentado como o filho mais novo dos Deuses Shiva e Parvati, possuindo muitos contos que relatam o seu nascimento e a origem de sua cabeça de elefante. Na religião hindu, Ganesha é adorado antes de qualquer outra divindade, em qualquer evento especial.
Por ser um Deus que demonstra paciência com aqueles que o procuram, ele se apresenta como uma opção acessível para novos adeptos da espiritualidade não cristã, sendo, para muitos, a porta de entrada para o vasto universo de deusas e deuses de diversas culturas.
Comigo, não foi diferente. Antes mesmo de entender os caminhos da espiritualidade pagã, Ganesha já me visitava discretamente. Em cada loja esotérica que eu entrava, em busca de cristais e incensos, sua imagem sempre me observava em silêncio, com sua barriga generosa, a cabeça de elefante e um olhar que irradiava alegria.
No final de 2018, quando finalmente aceitei o chamado e me reconheci como bruxa, ainda percorri um tempo solitária, sem me vincular a nenhuma divindade. Mas Ganapati continuava ali, paciente, sorridente, me aguardando do alto das prateleiras, até que um dia a minha mãe me presenteou com uma estátua sua.
Em meados de 2020, me rendi aos seus mistérios e, desde então, nossa conexão só tem aumentado. Foi Ganesha quem segurou minha mão nos dias de dúvida, quando abandonei minha antiga profissão para seguir outro caminho. Foi ele quem me sustentou quando o dinheiro ficou escasso e eu lutava contra o cansaço e a necessidade de estudar. Sua estátua esteve presente nas fotos do meu casamento e, quando fui morar longe da minha cidade natal, seu rosto foi a primeira tatuagem a marcar meu corpo. Em cada um desses marcos, ele se fez presente.
Hoje, não consigo me imaginar sem o seu ombro amigo e seus conselhos estimulantes. Mas essa amizade nunca será cômoda. Como Senhor da Sabedoria, Ganesha exige mais do que preces: exige estudo, verdade e transformação.
A curiosidade nos fez amigos, a amizade se tornou amor, e o amor me levou à devoção.
Iconografia
Em sua iconografia, o senhor Ganapati é representado com uma cabeça de elefante, trazendo o aspecto transcendente da consciência (Shiva), além da resiliência, força de vontade, inteligência e lealdade. Tais significados podem ser extraídos tanto pela figura do totem do elefante (símbolo de força, poder e inteligência), como pelo mito de Ganesha, onde a obediência e lealdade de seguir as ordens de sua mãe Parvati o levaram a travar uma batalha com Shiva, mostrando toda a sua coragem e resiliência.
O corpo humano pançudinho de Ganesha representa seu aspecto imanente da consciência: o mundo manifesto (Parvati/Shakti). Todo o universo se encontra contido em seu barrigão cósmico, representando a fartura, doação, generosidade e proveito das oportunidades.
Em suas mãos, Lord Ganesha costuma aparecer segurando três itens. Na mão superior direita ele segura uma espécie de machadinha ou agulhão de elefante, usado para afastar seus devotos dos caminhos perigosos e cortar quaisquer apegos terrenos. Na mão superior esquerda, ele segura um laço ou corda, usado para capturar pessoas e atraí-las para Ganapati. Na mão inferior esquerda ele carrega um pote com seus doces preferidos (Modakas ou Laddus), os quais oferece aos seus devotos como símbolo de sua generosidade e recompensa pelas boas escolhas. Por fim, na mão inferior direita, Ganesha demonstra o “Abhaya mudra”, representando a ausência de medo, oferecendo então a proteção e segurança aos seus devotos.
Além disso, o Senhor Ganapati tem a companhia de um ratinho, que é apresentado como o seu veículo. Esse símbolo nos ensina a ter o controle do intelecto sob a mente errante.
Estabelecendo uma amizade com Ganesha
Mas, como podemos aprofundar a relação com esse Deus de tanta abundância? Segundo a tradição do Sanātana Dharma (“lei eterna”, termo do séc. XIX usado para definir a religião védica), manter uma vida equilibrada e com disciplina sobre nossas ações e pensamentos, além do unidirecionamento das atividades para purificar nossas intenções, nos ajuda a sintonizarmos junto à frequência do Senhor Ganesha.
Contudo, as tradições védicas nos fornecem em seus livros sagrados alguns rituais que podem ser utilizados para estreitar essa relação com a divindade, sendo a pūjā um dos ritos mais utilizados. (Nos Vedas, a parte chamada “Karmakānda” trata dos rituais e práticas.)
Pūjā é um ritual ou forma de adoração que honra um deus ou divindade. A pūjā é como se estivéssemos convidando alguém muito especial para a nossa casa. E quando recebemos alguém especial em casa, costumamos lhe dar um lugar confortável para sentar, preparamos uma refeição com suas comidas favoritas, damos presentes e fazemos com que essa pessoa se sinta bem-vinda. Além de ofertar o que de melhor você tiver para oferecer à divindade, a pūjā é um rito pelo qual seu executor alcança frutos e recebe as bênçãos da divindade devotada.
Cada ato em uma pūjā não é apenas físico e/ou mental, mas também simbólico, cósmico e espiritual. O ato de aspersão da água, de oferecer um gole e banhar a imagem do Deus simbolizam a purificação, tanto do adorado quanto do adorador e do ambiente. Várias oferendas simbolizam a entrega das tendências latentes do aspirante expressas em pensamentos, palavras e ações.
Uma pūjā pode ser um ritual de poucos minutos ou de várias horas, pode conter 5 ofertas ou 32 itens ofertados. O importante é darmos aquilo o que temos, tendo em mente que qualidade é melhor do que quantidade e que até as nossas dores, amores e nossa superação podem ser ofertadas aos deuses.
Realizando a Pūjā
Cada tradição estabelece elementos distintos que podem ser oferecidos, podendo ser ofertado flores, óleos, água, doces, frutas, grãos, fogo, incensos, perfumes, vestimentas etc.
Assim, conforme ensina o mestre Vāmadeva Śiva (@yuri.sanscrito), professor brasileiro de sânscrito e filosofias indianas, e mestre no qual aprendi a fazer o ritual que será ensinado logo mais: “Com base num apanhado comum entre as tradições que compõem o Sanātana Dharma, podemos realizar a oferta de cinco itens básicos, representando os cinco grandes elementos (pañcamahābhūtas) que constituem tudo o que existe na manifestação universal”.
Ele explica ainda que: “Tradicionalmente, a pūjā é realizada por meio de um prato de adoração, que contém os utensílios adequados para a oferta desses elementos.” Contudo, para uma prática inicial, o devoto pode adaptar os itens a serem utilizados, bem como a forma de realizar essas ofertas.
Os elementos anteriormente mencionados também podem ser associados com os cinco sentidos do corpo humano, apresentando assim outra forma de realizar o ritual. O fogo costuma ser associado com a visão, o sino tocado a cada item ofertado representa a audição, o aroma do incenso representante do olfato, o néctar do alimento traz o paladar e as flores simbolizam o tato.
Por fim, realiza-se a repetição de mantras e declaração de poemas devocionais, reforçando o elo com a divindade e a afirmação dos pedidos e bênçãos.
PUJĀ EM HONRA AO SENHOR GANESHA
Separe os seguintes itens:
Pote de água e colher para a purificação do executor do rito;
Lamparina, para a invocação das bênçãos do fogo (Śrī Agni), que na tradição hindu é o responsável por levar as orações aos Deuses. (Pode usar qualquer recipiente de barro ou metal com manteiga clarificada (ghee) ou óleo e pavio);
Pasta de sândalo ou óleo essencial, representando o elemento terra;
Flores, representando o elemento espaço;
Incenso (vareta ou resina), representando o elemento ar;
Lamparina, para a oferta do fogo às deidades;
Néctar (comida), representando o elemento água. Aqui, preparos saudáveis feitos em casa (como arroz doce), oleaginosas e frutas são as melhores opções;
Sino, para ser utilizado enquanto realiza as ofertas.
Esses itens podem ser adaptados, conforme a disponibilidade do praticante. Contudo, é importante que os mesmos tenham sido comprados e sejam utilizados exclusivamente para essa finalidade.
A oferta de cada item é acompanhada de um verso em sânscrito e seguida de um pequeno mantra. (A pronúncia e a entonação corretas dos mantras listados abaixo podem ser facilmente encontradas no YouTube.)
Enquanto cada elemento é apresentado à divindade com a mão direita, em movimentos circulares, simultaneamente, com a mão esquerda, o devoto agita um sino, com o objetivo de atrair a atenção da divindade e afastar quaisquer energias contrárias do ambiente.
Preparação para Pūjā:
ALTAR
O altar de adoração que abriga a imagem da divindade deve ser mantido limpo e arrumado. As decorações adicionais ficam ao gosto do praticante. O ideal é que a imagem esteja colocada sob um tecido ou um pequeno suporte, pois, em algumas tradições védicas, considera-se desrespeitoso manter a divindade diretamente no chão.
PURIFICAÇÃO (Ācamana)
Os versos abaixo são recitados em direção ao pote de água:
oṃ gaṅge ca yamune caiva godāvari sarasvati । narmade sindhu kāveri jale’smin saṃnidhiṃ kuru ॥
“Ó, Sagrados Rios Gaṅgā e Yamunā, e também Godāvarī e Sarasvatī! Ó, Sagrados Rios Narmadā, Sindhu e Kāverī; Por favor, estejam presentes nesta água [tornando-a sagrada]!”
Depois, o ritualista capta algumas gotas de água do pote com a colherzinha, depositando-as em sua mão direita e então dispensando-as no chão. Então, repete o movimento. Porém, agora, após depositar a água na mão, deve ingerir as gotas de água repetindo o verso abaixo:
oṃ śrīGaneshayanamaḥ
“Nome da Deidade que será adorada, declinado no caso dativo.”
Este processo de depositar a água na mão, dispensar a água, depositar mais água na mão e agora ingeri-la recitando o verso acima deve ser repetido por três vezes.
INVOCAÇÃO DO FOGO (Deepa jyoti)
Em uma lamparina a óleo (de metal ou de barro), deposite o pavio (feito de algodão ou barbante) e insira o óleo de sua preferência (ghee, gergelim ou coco). Então vire-se em direção a lamparina, acenda o pavio e recite o verso abaixo:
“Medito sobre [o Senhor Gaṇeśa] aquele que traja vestes brancas, que é onipresente, que tem uma tez [brilhante] como a lua, que tem quatro mãos, que tem um rosto alegre, e que remove todos os obstáculos.”
CONTEMPLAÇÃO AO GURU (homenagens aos preceptores espirituais que perpetuam o conhecimento sagrado do Sanātana Dharma.)
“O guru [é] Brahman (o Absoluto), o guru [é] Viṣṇu (Aquele que tudo permeia), o guru [é] Maheśvara (Śiva, o Grande Controlador). O guru é de fato a Verdade última. Ao meu guru, ofereço minha reverência.”
DECLARAÇÃO DAS INTENÇÕES (Sankalpah)
Nesse momento, manifestamos o motivo pelo qual estamos realizando a pūjā.
INVOCAÇÃO DA DEIDADE (Neste caso, invocação a Lord Ganesha)
O praticante pode entoar o mantra de Ganesha que for de sua preferência e/ou conhecimento. Deixo abaixo o mantra que mais gosto de recitar nesse momento.
vakratuṇḍa mahākāya sūryakoṭi samaprabha nirvighnaṃ kuru me deva sarvakāryeṣu sarvadā
“Ó Senhor com um tronco curvo, com um corpo largo e com um brilho igual ao de milhões de sóis, por favor, remova todos os obstáculos e faça com que todos os meus empreendimentos estejam livres de impedimentos em todos os momentos.”
OFERTA DOS ELEMENTOS
Oferta do elemento terra em forma de pasta de sândalo ou óleo essencial.
oṃ gaṃdhaṃ samarpayāmi oṃ śrī Ganeshaya namaḥ
“Ofereço este aroma ao Excelso Senhor Ganesha”
Oferta do elemento espaço em forma de flores.
oṃ puṣpaṃ samarpayāmi oṃ śrī Ganeshaya namaḥ
“Ofereço esta flor ao Excelso Senhor Ganesha”
Oferta do elemento ar em forma de incenso (vareta ou resina).
oṃ dhūpaṃ samarpayāmioṃ śrī Ganeshaya namaḥ
“Ofereço este incenso ao Excelso Senhor Ganesha”
Oferta do elemento fogo em forma de lamparina.
oṃ dīpaṃ samarpayāmi oṃ śrī Ganeshaya namaḥ
“Ofereço esta lamparina ao Excelso Senhor Ganesha”
Oferta do elemento água em forma de alimento.
oṃ amṛtaṃ samarpayāmi oṃ śrī Ganeshaya namaḥ
“Ofereço este néctar ao Excelso Senhor Ganesha”
Oferta de todos os elementos (junte as mãos em frente ao corpo, em gesto de reverência – namaskāra mudrā)
“Ofereço em adoração todos os itens ao Excelso Senhor Ganesha”
RECITAÇÃO DE POEMAS OU REPETIÇÃO DE MANTRAS (108x) COM USO DO JAPAMALA
Recomendo usar o mantra mais conhecido de Ganesha (Om Gam Ganapataye Namaha), tendo em vista que muitos dos mantras carecem de um professor que ensine o uso e como entoar corretamente as fórmulas sagradas. Quanto aos poemas, use seu coração, sem contraindicações.
MANTRAS DE ENCERRAMENTO
Para fechar o portal cósmico (Pūrṇamadaḥ, o mantra da completude)
“Aquele (mundo exterior) é pūrṇa (pleno de Consciência Divina); Este (mundo interno) também é pūrṇa (pleno de Consciência Divina); De pūrṇa é manifestado pūrṇa (da plenitude da Consciência Divina o Mundo é manifestado). Tirando pūrṇa de pūrṇa, pūrṇa realmente permanece (porque a Consciência Divina é Não-Dual e Infinita). Paz, paz, paz.”
Fragmento do Śiva Mānasa Pūjā (composto por Ādi Śaṅkarācārya), para redimir o ritualista de quaisquer erros e/ou ofensas cometidos durante a prática.
“Quaisquer ofensas que eu tenha cometido com minhas mãos, pés, voz, corpo, ações, ouvidos, olhos ou mente, sejam proibidas ou não, por favor, perdoe à todas elas. Salve, Salve! Oh, Oceano de Compaixão!
É com muita alegria que anuncio a abertura das inscrições para a oitava turma do programa de formação mágica do Conclave da Rosa e do Espinho.
Este programa se baseia nas antigas escolas de mistério, oferecendo materiais para reflexão e debate e uma série de técnicas para quem busca um desenvolvimento espiritual ou deseja aprofundar o caminho onde já está.
Aquilo que você vivenciar conosco, pode levar para qualquer vertente que fale à sua alma, os ensinamentos não são restritos a uma linha específica, embora sejam apresentados pelo viés da bruxaria tradicional e bruxaria tradicional moderna.
A proposta é um espaço para despertar e desenvolver seu poder mágico e espiritual, apurando sua sensibilidade psíquica em uma construção, mês a mês, que leve a ampliar sua teia de contatos e aliados com os planos interiores. Como animistas vemos o homo sapiens como parte integral de uma grande teia cósmica, onde somos chamados a colaborar em harmonia com outros reinos do ecossistema espiritual.
Entenda melhor o currículo, veja todas as informações necessárias e acesse a ficha de inscrição por aqui.
Esta turma será híbrida (online e presencial – quando for possível) e aos domingos.
E lá vamos nós dar início a um novo ciclo de formação mágica que terá início em agosto de 2020. Esta será a sétima turma de Formação conduzida pela Petrucia Finkler.
As informações do currículo, datas, valores, etc., estão contidas no formulário de inscrição, dê um a lida atenta aos detalhes colocados e se você sentir que esse chamado também é seu, junte se a nós. O Conclave vem crescendo muito e hoje estamos em mais de quarenta pessoas entre Família, que é quem passou pela formação e segue conectado fazendo estudos e atividades conosco, Núcleo, que é o grupo pequeno e central, do clã que realiza e organiza ritos sabáticos, e a turma em andamento da Formação que começou em fevereiro.
São nove encontros mensais, presenciais, aos sábados, cada um com uma média 6 horas de duração, que dá um lastro de teoria e prática para refinar suas percepções e deixar você seguro para seguir seu caminho na magia, seja na vertente que for.
A ideia desta turma é ser presencial, em São Paulo, com encontros em um endereço na Zona Sul. Em razão da pandemia, é bem provável que nossos primeiros encontros ocorram online, via Zoom. Por conta desta questão, há quatro vagas para participação online durante toda a duração do curso, mesmo quando a turma estiver se encontrando presencialmente. As datas e horários são os mesmos.
Este não é um programa iniciatório. Porém, ao final, todos aqueles que participaram de pelos menos sete encontros terão uma reunião extra com uma cerimônia de dedicação ao caminho e uma série de outros exercícios e experimentos mágicos mais avançados durante um retiro da turma.
As inscrições se encerram dia 21 de julho. O início das aulas é dia 1/8/20.
Neste período do ano em que honramos os que já se foram, nada mais justo do que lembrar dos ensinamentos que ficam e aos quais ainda temos acesso.
** por Janaína Lemos.
“Hoje eu limpei meu tacho de cobre. Com sal e limão, assim como a minha mãe me ensinou, assim como a minha avó faz e provavelmente como a mãe da minha avó fazia.
Esse tacho de cobre eu ganhei da Vó Dete. Um presente de aniversário formidável e veio acompanhado de duas formas de bolo e uma bacia de alumínio.
Ela conta que quando foi comprar, o vendedor disse que não era o presente certo para uma garota de 27, mas ela orgulhosamente rebateu: ” – O senhor não conhece a minha Janaina.”.
Abuela, a senhora acertou, a senhora sempre acerta. A benção. Aprendi a amar a cozinha porque era nela que eu me sentava confortável pra vê-la cozinhando. Foi lá que eu aprendi a trançar massa de rosca e por consequência meus cabelos. Era na cozinha que a vó punha a mesa e todo mundo se reunia pra sarar ou festejar.
Honre seus ancestrais, amem, cuidem, prestem homenagens, aprendam com eles que sobreviveram a muitas coisas antes de você. Alguns a guerra, outros a gripe espanhola, alguns a ditadura e outros a escravidão.
Aprendam as histórias das mulheres da sua família, aprendam como elas deram a luz aos seus pais e aos seus tios. Observem como prendem os cabelos e como se arrumam. Analisem cuidadosamente como elas temperam os alimentos e como cuidam das plantas, como organizam os retratos e os livros. Aprenda com a sua mãe qual o melhor remédio pra cólica ou com a sua madrinha como faz pro mingau não empelotar, procure sua tia pra saber como faz pra tirar manchas de suor da camisa, e ligue pra irmã da sua avó pra desvendar qual é o lado da porta que se deve ter espada de são Jorge, escute sua avó sobre como fazer pra massa não ter gosto de fermento ou sobre os mistérios pra se fazer uma muda de planta.
Entenda como se fazia licor, pergunte sobre as músicas da época dela, pergunte de que tecido eram os vestidos, pergunte como eram feitos os vestidos, como eram os partos, investigue se havia alguma comida especial para o pós parto, se tinha alguma reza específica. Pergunte, anote, devore todas as informações que puder.
O sagrado está em você e naquilo que toda sua linhagem te entregou quando você nasceu.
O sagrado está naquilo do passado que você carrega consigo no presente. #sagradofeminino#tradição
**Janaina Lemos é Cientista Social e Mestre em Políticas Publicas pela Unicamp, filha e neta de mineiras fortes, amante incorrigível das artes, quase todas, musicais, da cena, danças, escritas e agora também mágicas. Apaixonada pelos mistérios do sagrado feminino, estudante de magia e membro da Família do Conclave da Rosa e do Espinho.
O grandioso movimento da Mãe Terra nos leva a essas sinuosas nuances entre macro e micro, transformando e movimentando também nossas vidas e de todos os seres em seu corpo divino. A Própria Terra, se movendo em seu eixo, saindo de sua zona de conforto, nos convida a fazer o mesmo, mostrando nas transformações das diferentes curvas de seu corpo como podemos nos transformar juntos e conscientes ou estagnarmos, não aproveitando essas marés que nos afetam mesmo sem nosso consentimento.
O Equinócio é o momento em que o dia e a noite estão com a mesma duração de tempo. O ápice do poder do Pai Sol está na linha do equador banhando sua energia tanto ao Norte quanto ao Sul do planeta. Conforme os dias passam, nós aos poucos caminhamos rumo ao escurecer das noites mais longas, que têm seu ápice no Solstício de Inverno.
Aqui em nossa Terra tropical não temos estações tão marcadas por diferenças abruptas e contínuas de temperatura, mesmo assim são nítidas as transformações da natureza quando focamos nas sutilezas.
Tom Jobim já Cantava: “São as águas de março fechando o Verão, é promessa de vida em meu coração…”. A poesia cantada ilustra muito bem a forma que o Grande Espírito atua resfriando a natureza e o calor exaustivo do Verão que se encerra.
Junto do Verão se encerra também uma onda de manifestação de total expansão, força e atividade, onde havia todo o poder do Pai Sol esclarecendo, dando força e foco para os grandes êxitos. Isso feito, o próximo passo agora é sentar e reavaliar, essa é a grande chave deste tempo de Poder. Desacelerar, e analisar com cuidado suas colheitas materiais e imateriais. Como está a saúde de seus feitos, atos e sentimentos? Tudo isso é seu de fato, ou no caminho pegou carga extra que não lhe convém? Você precisa mesmo de tudo isso, ou o acúmulo serve para tapar buracos emocionais?
Falando das emoções, como bem colocado no Livro “Os Quatro Saberes” da Petrucia Finkler, o Outono está na direção sagrada do Oeste, local das Águas, onde moram os nossos sentimentos profundos, nossas águas abissais. A roda das direções do livro nos exemplifica esse movimento anti horário e descendo, do portal energético e ativo do Fogo ao Norte, que é o Verão, a roda gira numa evolução constante em direção ao rio da Vida,onde tudo escorre e acumula no portal passivo, feminino cuidador do Oeste, o Outono.
Essa força precisamos invocar pra ter o equilíbrio e MATURIDADE necessárias para
lograr algum sucesso nesse processo tortuoso, onde admitimos a nós mesmos nossas
falhas e dividimos de forma justa os ganhos sem egoísmos. Precisamos copiar sempre a natureza, vendo as árvores deixando suas belas folhas morrerem para terem a certeza que conseguirão sobreviver, nós também nos desapegamos de tudo que já não nos servirá efetivamente, para não nos afogarmos em entulhos e apegos na nossa morada do Inverno, nossa caverna da Ursa, nosso Eu Interior – lugar onde nada cabe além da sua verdadeira vontade, inconsciente trabalhado e coração curado.
Então lembramos da medicina do Urso, dentro do sagrado caminho vermelho do
xamanismo que nos ensina com o movimento da hibernação desse animal. Ele se
alimenta de tudo que for possível, se preparando para a escassez da caverna onde se abrigará por todo o inverno, e quando sai de lá, na Primavera seguinte, ele busca o mel, a renovação, a doçura dessa nova oportunidade, e o ciclo recomeça.
A importância desse momento antes do “entrar na caverna” é o ponto principal. Ter a
certeza de quais alimentos que você colheu quer realmente se alimentar e nutrir-se para conseguir resistir ao longo período da sua hibernação.
Também podemos ver o Inverno como a grande Morte, então logo, sendo o Outono um período de Maturidade, agora é o momento de se questionar sobre seus feitos e o que aprendeu e concluiu sobre essa caminhada, e o que irá levar como alimento espiritual para o próximo passo.
O festival do equinócio de Outono, que as novas tradições de bruxaria chamam de Mabon (nome de uma divindade solar Celta), relaciona se também a diversos grandes mitos representando “A Grande Descida da Deusa”. Isso se verifica nos mitos de Inanna da Suméria, de Perséphone grega ou mesmo de Dea e Dis dos mistérios da Stregheria de Raven Grimassi. Todos ao seu modo falam sobre o Emergir do Eu mais profundo em busca de respostas que só o Eu superior pode conceder, com intenção de acoplar essas realidades subjetivas.
Isso tudo vem nos dizer que, como muitas tradições e culturas que lidam com a observação da natureza e a auto observação na intenção da sincronia e aprendizado, esse Momento em que entramos – Equinócio de Outono, a grande Descida, início do ano Astrológico em Áries – nos dá esse impulso essencial, imbuído desse fogo que dá o ímpeto para conseguirmos assim entrar nos processos que nos levam ao entendimento da introspecção, análise e desapego que o momento pede.
Lembrando que o Fogo de Áries entrando de cabeça nas águas do Outono são forças antagônicas que geram o Ar, que é o poder mental e sua sabedoria Leve e elevada.
Nessa alquimia de si, sob plenos poderes e responsabilidades que assinamos com as marcas de nossos pés por sendas sagradas, fica o convite a essa amedrontadora viagem ao centro de si mesmo, onde as dores dos processos pessoais emergirão, e não será fácil, porém o renascimento derivado dessa ousadia será o Ouro brilhante no que antes era só chumbo.
Que possamos nos permitir a isso, e que a Deusa nos ampare sempre.
Que assim seja, Aho.
Iam Hecatino
**Iam Hecatino tem 33 anos, é leonino com lua e ascendente em aquário, casado, cabeleireiro. Na senda da Arte abençoada, já passou pela Wicca, por estudos de Bruxaria Tradicional e começou há pouco tempo estudos xamânicos, onde aprende muito, principalmente sobre si. Inicia agora esta jornada da formação do Conclave da Rosa e do Espinho na turma 2020 e nos traz este texto lindíssimo e tão profundo sobre suas percepções para o período crepuscular que adentramos.
Até dia 31 de janeiro estamos recebendo as inscrições de interessados em participar da nova turma de formação que inicia agora em fevereiro. Teremos versão presencial em São Paulo, e online – de qualquer lugar 🙂
Todas as informações, datas, currículo, valor, etc, estão neste formulário:
O Conclave começou em 2015 como um projeto de formação, com a intenção de treinar bruxos para falarem uma mesma linguagem mágica a fim de formarmos um clã de trabalho e pesquisas de acordo com as afinidades que fossem surgindo.
Agora em fevereiro de 2020, a Petrucia Finkler dará início à sexta turma desta formação. O programa foi reformulado em 2018, passado a uma duração de nove meses e incluindo um retiro de práticas avançadas no final, como uma formatura. Desde 2019, passamos a ter duas edições por ano.
Isso nos levou a uma reorganização interna para acomodar o crescimento e o fluir dos trabalhos. Hoje temos um núcleo, que é composto por dez pessoas que organizam e participam dos rituais sabáticos e de encontros mensais para práticas avançadas.
Chamamos de Família Conclave todos aqueles e aquelas que concluíram a formação, não fazem parte do núcleo interno, mas gostariam de seguir trabalhando e explorando o universo da magia de forma próxima a nós. A Família inclui as pessoas que fizeram a formação online. Este grupo é maior e também participa dos mesmos treinamentos mensais avançados com o núcleo.
E temos ainda os alunos da formação que estão em processo. O mais bacana da formação é justamente a heterogeneidade de quem chega, temos pessoas com anos de estudos e práticas, e outros que chegam totalmente crus. E isso é ótimo, pois é na mistura e na revisão de técnicas muitas vezes consideradas básicas que um novo nível de compreensão e experiência é alcançado.
Quando a Casa Panteon, que foi o espaço que nos abrigou entre 2018 e 2019 foi encerrada, participamos de uma ocupação como palestrantes e expositores. Ali estávamos todos mesclados, alunos da formação, com família e com núcleo. E foi lindo!
Estamos orgulhosos do que estamos construindo, ano a ano, pessoa a pessoa. Que sigamos fortes fazendo o trabalho dos nossos Deuses aqui na Terra, e propiciando os contatos entre os planos de forma leal e comprometida, para fazermos diferença, reverberando alianças e curas entre o mundo visível e o invisível.
Atendendo a pedidos, estamos abrindo uma nova turma presencial (São Paulo) em 2019. Veja as datas, currículo e outras informações no formulário: https://forms.gle/Sx8PiTLyztghYCr4A