Nova turma de formação

A primeira volta deste ano de formação mágica do Conclave  Rosa e do Espinho está concluindo seu terceiro quadrante, estamos trabalhando dentro do elemento Água. Três meses de mergulho para entrar em contato e aprender a entender os tesouros nas mensagens de nossos sonhos e de incubar sonhos, trabalhar o Tarot de uma forma absolutamente intuitiva e então torná-lo uma ferramenta ativa fazendo magia com o uso das cartas, experimentar variantes nas técnicas que nos levam a estados de transe, trabalhar a energia corporal praticando técnicas taoístas de respiração macrocósmica ou ovariana, brincar com a mágica terapêutica dos aromas e ampliar nossos limites através da tão importante “transferência de consciência”.

A Água deu início à metade mais sutil e prática dessa roda a que nos propomos. No Ar e no Fogo, o volume de trabalho era maior, mais externo e mais intenso, numa apresentação e construção fundamental para onde estamos nos direcionando.  Na Terra, que começará no final de julho para esta turma, que é a primeira, vamos juntar tudo e ir ainda além.

A experiência de ensinar vem me ensinando também um bocado. As pessoas crescem, partes delas vão despertando, talentos acendem, e também outras se afastam. Esse tipo de formação em mistérios não é para todos, ou às vezes não é o momento, e a resistência pessoal fala mais alto.

Eu sigo aqui, sigo firme na minha proposta e, como vários interessados têm entrado em contato comigo ao longo desses meses, manifestando o desejo de participar de uma nova turma, decidi que vou encarar essa empreitada de novo.

A próxima turma de formação mágica começa na primeira quinzena de setembro.

Dê uma lida aqui para saber mais, e também aqui, para entender mais do tipo de vertente que abordamos. Para um entendimento poético do que constitui minha visão da bruxaria, leia o Sobre aqui no blog.

Envie um email para petruciafinkler@gmail.com para solicitar o formulário completo para firmar seu interesse e ver se essa formação faz sentido dentro das suas expectativas; leia com atenção e preencha no seu tempo. A DATA DE ENCERRAMENTO PARA ENVIO DO FORMULÁRIO É 18 DE AGOSTO DE 2016.

 

O Deus Cornífero

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texto de Andréa Souza*

Minha pesquisa sobre o Deus Cornífero começou como parte da minha formação no Conclave. Quando recebemos a tarefa de pesquisar um Deus ou Deusa, confesso que não soube bem por onde começar, afinal, são tantos os panteões e faces divinas. Mas os Deuses se apresentam e vão nos dando sinais, basta estarmos atentos. De repente, em todos os filmes ou comerciais que eu via (ou quando focava minha atenção) tinha a presença de chifres ou galhadas. Em meus sonhos passei a ver uma figura masculina chifruda a distância, sombreada. E como sempre acreditei no equilíbrio entre a força divina masculina e feminina, decidi mergulhar nesta pesquisa, uma vez que já tenho minha Deusa identificada.

Este post não tem a pretensão de fazer um relato histórico sobre o Deus Cornífero, pois são inúmeros os artigos publicados neste sentido, escritos por pesquisadores e historiadores. Meu objetivo aqui é refletir um pouco a cerca desta força masculina e como me conecto com ela.

Quando falamos no Deus Cornífero, podemos associar a duas imagens bem distintas: O Deus celta Cernunnos, fortemente cultuado pela Wicca, e o Diabo, do catolicismo. No entanto, dados históricos comprovam que representações divinas masculinas chifrudas estão presentes na história desde o Paleolítico e foram se ramificando e se apresentando em diversas culturas: Mesopotâmia, Índia, Egito, Grécia, entre outras.

Um parêntese aqui: O que para mim faz todo sentido, uma vez que o mesmo se deu com representações da divindade feminina.  Os dois princípios que se completam, presentes desde nossos primórdios e se transformando em sintonia.

O traço comum a todas as representações masculinas são os galhos na cabeça, que no meu entendimento, simboliza não apenas força física, mas uma sinergia com a terra, aquilo que está ao nosso redor, o que temos de mais primitivo e instintivo.  A galhada defende, mas também abre caminhos, protege e por estar presente em animais de grande porte, fala desta conexão com a vida instintiva. Tem também uma forte ligação com fertilidade e virilidade, pois ela lembra o falo ereto e não são estes dois aspectos instintivos? Existem comprovações históricas de diversos cultos a animais chifrudos (touros, alces, javalis) onde estes são os aspectos reverenciados.

devilE vamos dar um salto adiante: Quando pensamos no arcano 15 do Tarô, o Diabo, não são estas as associações que fazemos? Trazemos para este símbolo, a ligação com instintos humanos mais primitivos e carnais, alguns dizem mais baixos? (aquilo que acontece na terra? Na natureza? Sem qualquer presença do Ego ou da consciência?). Bom e aqui vai mais um sinal: Eu sempre vi este arcano como algo que é parte de nós. Confesso que não vejo uma carga negativa ou de perigo como a maior parte das pessoas. Vejo o Diabo como uma faceta nossa, em alguns momentos necessária. O cuidado é que não podemos viver só de instintos e desejos primitivos, contudo eles têm seu lugar em nosso desenvolvimento.

Se analisarmos por este lado, quando o catolicismo ganhou força e transformou a imagem do deus cornífero em Diabo, representando todo o Mal e o pecado, não era uma forma de banir qualquer contato com a força da natureza que está em nós? Nossos instintos e forças? O que é o Diabo, se não algo que nos tenta com aquilo que secretamente mais desejamos? Porém, da mesma forma que fez com a Deusa, transformada em Maria pois não seria possível excluir definitivamente a importância deste símbolo, o catolicismo reconhece que há uma parte em nós, representada pelo Deus Chifrudo, que busca esta energia primeva e que pode nos levar a lugares mais selvagens.

Neste meu contato com o Deus Chifrudo, eu não consegui nomear ainda por qual face ele se apresenta, por que acho que me relaciono com seu aspecto mais amplo, mais antigo. Teci em feltro o símbolo associado a ele e o coloquei no altar da minha Deusa e ela não o aceitou. Hoje, ele está em outro altar, com as Deusas primitivas que fiz e se deu super bem, então por enquanto, não sinto que é hora de nomeá-lo.

Quando ele se faz presente, meus sonhos são profundos, mergulho em meu mundo mais inconsciente, percebo-me mais desconectada do ambiente à minha volta, deixo meus instintos fluírem e sinto uma energia mais forte me percorrer, que se manifesta também por uma libido presente. Neste meu caminhar com o Deus Chifrudo, passei a compreender melhor meus instintos, a dar voz e espaço a eles e estou descobrindo uma força interior que me enraíza e me centra em mim mesma. Mergulhar nesta força Divina Masculina, tão conectada com aspectos primitivos, me fez rever conceitos e ideias.

O Deus Chifrudo nos convida a entrar neste universo mais selvagem e instintivo que está em nós.

*Andréa Souza é Psicóloga de formação, taróloga por paixão, há mais de dez anos, e terapeuta floral. Caminha pelo Sagrado Feminino há cinco anos e, em abril, formou-se Moon Mother. Desde 2015 participa da formação do Conclave, que lhe abriu novos horizontes e caminhos de estudo e prática.

Noite ritualística

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No último sábado, dia 21 de maio, havia dois eventos mágicos mundiais acontecendo ao mesmo tempo, a Bênção Mundial do Útero (originada por Miranda Gray) e a celebração dos Fogos Sagrados de Hekate (originada por Sorita D’Este).

Além disso, pelo sistema mágico de tarot, que foi o primeiro sistema mágico no qual trabalhei, essa lua correspondia à lua do arcano XIII, a Morte.

DIMG-20160522-WA0011ada que a BMU de maio no hemisfério sul, pela plenitude outonal, é acompanhada por uma meditação e trabalho de cura das ancestrais da linhagem materna, achei que seria lindo incorporar tudo isso em uma noite de vários rituais.

Começamos apenas com as mulheres, confeccionando bonecas de lã para representar a linhagem materna, e então recebendo em grupo a energia da Bênção e trabalhando essa cura de nossas ancestrais.

Em seguida, Renata Bastos, que é  a única paulistana que conheci que estudou com a mesma professora (que no caso ia a Porto Alegre regularmente para dar aulas para nosso grupo entre 2000 e 2001), e segue desde aquela época acompanhando as luas e mantendo os rituais para essas luas arcanas, nos guiou em um trabalho com o tarot para descobrirmos:

a) o que havia morrido em nós e precisávamos nos despedir

b) o que precisava renascer

c) qual era nosso catalizador ou agente dessa transformação.

Essas três respostas foram incorporadas pelas 15 pessoas presentes dentro do ritual que veio a seguir e culminou com o rito exato dos Fogos Sagrados de Hecate.

Foi uma noite muito bonita e potente. A ideia original era fazer dessa noite um ritual aberto mas, por questões pessoais, acabou sendo  com um grupo reduzido, mas valeu como o primeiro ritual organizado e apoiado pelo Conclave da Rosa e do Espinho.

Hekate prometeu muitas alianças se fizermos mais coisas em nome dela. Veremos o que vem a seguir.

Segue o rito dos Fogos Sagrados de Hekate, que é celebrado já há sete anos, sempre na lua cheia de maio.

Prelúdio:  

Posição confortável, respirar profundamente, encontrando seu equilíbrio de mente, alma e corpo, apresentando-se altivo e belo para o mundo. Inspire profundamente e encontre sua voz, a voz com que vai pronunciar palavras e intento puro e verdadeiro.

Respire profundamente e chame pela   liberdade que existe dentro de seu coração, de forma que você possa se expressar com pureza de intenção e com força de desejo.

Duas mãos sobre o coração (tempo de três batidas)

Dedo indicador e médio da mão dominante sobre os lábios (tempo de três batidas)

Então na testa (tempo de três batidas)

Cerre os punhos, com os polegares junto à palma (para dentro) e levante os dois aos céus.

Abra suas mãos com a palma da mão esquerda para cima, traga seu braço direito para o seu lado, com a palma para baixo e invoque a Deusa.

Invocação:

Eu lhe invoco, Grande Senhora do Paraíso, Terra e mar,

Por seus mistérios da Noite e Dia,

Pela Luz da Lua e pela Sombra do Sol

Eu lhe invoco, Senhora da vida, morte e renascimento

Emerge do reino das sombras para alimentar minha alma e iluminar minha mente

Senhora triplamente formada dos três caminhos

Eu lhe peço, Senhora portadora da Chave das Almas que Vagam pela Noite

Para enviar sua sabedoria dentre as estrelas

Para trazer seu fogo estelar da escuridão do meio

Criadora da Luz!

Deusa dos Reinos Sombrios! Rainha Portadora da Luz!

Sussurre agora seus segredos!

Portadora do Fogo! Telúrica! Rainha dos Céus!

[Erga ambas as mãos com as palmas para os céus (por três batidas do coração) e então toque o solo com as palmas para baixo.]

[Sente-se diante da vela e prepare-se para acende-la]

[Respire profundamente três vezes e permita que seus sentidos despertem]

Hecate, companheira e guia dos mistérios

Acendo esse fogo sagrado em sua honra [acenda a vela e caldeirão]  (tempo a todos)

Sua luz unindo as estrelas e as pedras, o céu e a terra,

Com este fogo eu expresso meu desejo por um maior entendimento de seus mistérios

Askei Kataskei Erōn Oreōn Iōr Mega Samnyēr Baui (3 vezes)

Phobantia Semnē,

Grande Hecate, que tece a teia das estrelas e governa a espiral da vida

Guia-me em direção das sendas do entendimento

De Encruzilhada em Encruzilhada,

Os Portadores da Tocha e os Portadores da Chave de seus mistérios,

Sempre encontrarão uns aos outros

[Agora, sente-se e assista a chama e dançar, permita-se focalizar nas diferentes cores da chama, os amarelos e os vermelhos, os azuis e brancos, e os negros.  Se desejar, pode decidir passar algum   tempo meditando   com   a   chama, buscando   visões   ou presságios.   Da mesma   forma, você pode querer extingui-la e manter a vela do seu verdadeiro Eu irradiar brilhantemente seus mistérios deste belo dia em diante, a chama do fogo do Hecate queima em seu coração!]


Agora expulso as sombras da dúvida de minha mente,

Imbuída com o silêncio e o calor da nossa união

Sinto o seu brilho dourado dentro do meu coração

E a glória do conhecimento sobre a minha fronte,

Sou aprendiz de seus mistérios

[Apague a chama e ponha as duas mãos sobre o coração (três batimentos cardíacos), o indicador e o dedo médio da mão dominante sobre os lábios (três batimentos cardíacos) e, em seguida, na testa (três batimentos cardíacos).  Abra as palmas das mãos em direção aos céus, então se abaixe e toque a terra.]

 

Nosso espaço, nossas coisas e nossos talismãs acidentais

Logo no começo da formação mágica, uma das atividades propostas foi revisar e purgar o espaço físico e tudo que se aglomera nele. Óbvio que, num grupo de mulheres, isso, de cara, causou um terror.

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imagem de Witch Hunters: Stolen Beauty

As pessoas variam em seu grau de apego, mas mulheres, em especial, tendem a acumular memórias através de objetos físicos e também são fãs daquela ideia de que “ah, mas um dia eu posso precisar”.

Desde a adolescência eu detesto acúmulos e já fazia limpas periódicas nas minhas coisas, para horror da minha mãe, que primeiro revisava os sacos do que eu estava me desfazendo, mas depois de alguns anos, se limitava a virar o rosto e  dizer “Não quero nem ver o que tem aí dentro, não quero me incomodar.” E, só assim, com ela não vendo, eu consegui mandar embora um coelho de porcelana recheado de flores de plástico nas costas que eu ganhara da minha tia avó quando eu tinha 4 anos de idade.

Mesmo com várias mudanças nas costas, coisa que sempre obriga a gente a revisar tudo e mexer em guardados intocados há anos, nada me preparou para meu encontro com Marie Kondo e sua Mágica da Arrumação.

Sei de nossa capacidade absurda de juntar coisas, pois, já me mudei de país levando apenas uma mala e 18 meses mais tarde fiz uma garage sale para os desapegos necessários das tralhas que ninguém usava mais. Mas a ideia de “ninguém usar mais” era o que sempre havia guiado essas minhas limpas e escolhas. Eu jamais havia pensado em ver tudo que guardo  considerando se aquilo me traz ou não alegria.

Invariavelmente acumulamos demais, todo mundo que faz um mochilão ou o Caminho de Santiago relata voltar com a sensação de que possui muito além do necessário e que nossos pertences acabam pesando na nossa vida. No entanto, rapidinho, a pessoa retoma o condicionamento cumulativo baseado em sentimentos como insegurança, memória afetiva ou culpa.  Isso lá são motivos positivos para que algo ocupe espaço na nossa vida?

A natureza, de modo geral, nos ensina a não acumular; claro que o esquilo guarda nozes para o inverno austero, mas ele guarda as nozes de que precisa, se programando para aquele período específico e não fica levando todo tipo de outras coisas para sua toquinha.  Nossos corpos absorvem nutrientes e excretam tudo que é excesso. Assim também devemos aprender a deixar nosso espaço mais leve, para que o fluxo energético seja melhor e tenhamos abertura para coisas novas e para o movimento. Além de que os movimentos minimalistas estão super em voga, caso você precise de um motivo assim para se animar a fazer seu processo de desafogamento.

Há que se cuidar pois  muitos objetos acabam se tornando uma espécie de “talismã acidental”, contendo uma carga energética acumulada ao longo dos anos que realmente é capaz de nos puxar para baixo.

Um bibelô muito bonitinho que você ganhou no seu primeiro casamento pode, ao longo dos anos e depois de uma separação muito dolorida, adquirir cargas e memórias que acabam por seguir lhe conectando ao parceiro anterior e dificultando uma libertação e um novo passo na vida. Uma calça que ficava um arraso quando usávamos 36 e não conseguimos nos desfazer, na esperança de um dia poder voltar a vesti-la, acaba por, sempre que a vemos, mesmo que inconscientemente, nos cutucar com a ideia de que achamos que algo está errado hoje no nosso corpo mais arredondado e baixar nossa autoestima. Um abajur horroroso que você ganhou da tia que faleceu segue na sua sala e você nem sabe por quê.  A peça causa um mal estar inacreditável, e você deixa de usar aquela poltrona ao lado do abajur, gerando uma energia estagnada e pesada que também tranca o fluxo de sua casa.

Isso é ainda mais forte para mulheres, pois por sermos muito do corpo e da realidade física, a casa, nossa toca, acaba de fato sendo uma extensão de nosso eu. Talismãs acidentais podem inclusive contribuir para problemas de saúde, dependendo do grau de identificação que temos com nosso lar físico.

Antes de começar o Conclave, passei a Marie Kondo na minha casa e na minha vida. O resultado foi uma sensação de muita liberdade e até empoderamento, acredite. Posso dizer por experiência própria que é uma delícia você abrir seu guarda-roupa e se dar conta que pode vestir qualquer coisa, pois você ama tudo que está ali. É uma sensação que era desconhecida para mim. Tudo por que, em vez de comprar roupas novas, eu na verdade me desfiz de 2/3 do que eu já tinha.

Nem sempre a solução ou estratégia que o livro propõe é a melhor para o nosso caso. Outras ideias podem vir do site www.becomingminimalist.com, que sugere, por exemplo, um método maravilhoso de limpar gavetas.

Outra ideia é de um amigo meu, Shivian Balaris, que me ensinou a tirar foto dos objetos que guardam alguma memória afetiva, mas que não cabem mais na minha vida. Assim, remexendo as gavetas simbólicas que são nossos arquivos de imagens digitais, ainda poderemos reativar essa memória sem precisarmos ocupar o espaço físico daquilo. Vale comentar que ele é escorpionino, e, se alguém de escorpião consegue assim abrir mão de certas coisas muito queridas, todos nós podemos, inclusive os cancerianos!

Sobre os livros, sou contra o que a Marie Kondo fala em termos de arrancar páginas. Um sacrilégio! Mas sou a favor de fazermos uma limpa na nossa biblioteca sim, nem tudo que está ali tem mais a ver conosco e podem mais úteis em uma biblioteca pública ou de escola, ou na mão de outro praticante, que busca alguma tradição mágica que não ecoa mais em você.  Coragem!

Para bruxos, todas as etapas dessa purificação também trazem informações valiosas, basta que se observe que apegos, culpas e medos vêm à tona ao lidar com roupas, objetos, fotos, documentos, CDs, e tranqueiras que você guarda.

Observe seus padrões de acúmulo.Não consegue se desfazer de nada que ganha de presente? São coisas de um certo período da sua vida que te marcam mais? Exagera na quantidade por medo de um dia faltar? Não se desfaz de documentos ou contas antigas por medo de ter de se defender de algo na justiça? Qual é o seu padrão? Esse processo é de um super autoconhecimento.

E, de brinde, no meio dos badulaques da estante, pode deparar-se com um presente recebido de outro bruxo, talvez não muito bem intencionado que mandou junto do presente um “algo mais” desagradável, ou a quinquilharia que comprou numa banca de antiguidades naquela viagem ao Peru pode revelar-se com algo embutido que anda aprontando na sua casa ou desestabilizando seus esforços de melhorar sua vida.

Acima de tudo,  como bruxas precisamos estar muito cientes do tipo de energia e força que concedemos aos objetos e que tipo de acesso estamos dando àquilo que colocamos para dentro de nossas casas e de nossas vidas.

Boa limpeza!

texto de Petrucia Finkler

O corpo mágico – manutenção e cuidados para uma vida longa e saudável

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Bruxos não tendem a pensar muito no seu veículo físico. Até porque a gente começa novinho, seja na adolescência ou no início da vida adulta, e a saúde é a última das preocupações para quem tem trocentos hormônios circulando, vontade de experimentar tudo e se sente imortal. Porém o corpo físico de quem trabalha com energias e magia vai sofrendo mudanças e criando sensibilidades – e até desenvolvendo doenças – ao longo de nossa vida bruxa, justamente em razão de vários de nossos excessos irresponsáveis de juventude, mas também por falta de cuidados e noção geral de como nos proteger fisicamente.

É possível que um dos vilões seja exatamente a crença equivocada em nossa exacerbada autoconfiança, de que, tendo os deuses e a magia do nosso lado, estaríamos blindados contra as mazelas que acometem os seres humanos.

O corpo, com seus muitos mistérios, forças e correntes energéticas, é na verdade o principal instrumento do mago e do bruxo. Quando não funciona bem, nossa magia não tem lastro. Cuidar bem de si inclui coisas mundanas como comer direito, dormir bem e fazer exercícios. E essas três necessidades básicas são bastante negligenciadas por quem atravessa véus e mergulha no universo do contato com outros mundos.

Quanto mais fundo vamos em nossos trabalhos, especialmente quem lida com magia visionária e transes, mais sentimos o quanto esses esforços mágicos se traduzem em esforços e desgastes energéticos do corpo físico. O corpo e a magia têm uma relação profunda também percebida por magos de antigamente, basta ler Dion Fortune e Franz Bardon, por exemplo.

Todo mundo que mexe com poderes outros, vai se deparar com questões de saúde mais cedo ou mais tarde – em geral um pouco mais tarde, nada vai acontecer antes dos trinta, e, ao batermos nos quarenta anos, começamos a pagar as contas de nossas imprudências cometidas nos primeiros anos empolgadíssimos de trabalho mágico.

Os magos mais jovenzinhos ou quem está recém começando neste caminho não veem e não estão preparados para a relação que essas práticas têm com nossa saúde. Tudo que interessa são apenas os cones de poder, instrumentos mágicos incríveis, fazer leituras de tarô em bares até altas horas e experimentar algum ritual obscuro que desencavaram de algum lugar da internet, que o amigo traduziu, e agora podem lançar ao mundo.

Essa consciência e relação entre desgaste corporal e magia é mais uma das questões que precisamos encarar de frente em uma era onde as pessoas passaram a acreditar que a bruxaria é asséptica, e que se eu vibrar em amor e luz, apenas amor e luz voltarão para mim.

Quanto mais forte a magia, mais forte é o impacto físico que ela tem. Leia isso de novo. Mais uma vez. Absorva essa mensagem e não esqueça disso jamais.

Portanto, preste atenção nos sinais e comece um regime de preparo adequado de suas energias e cuidados para diminuir o impacto, evitar doenças e lesões e tratar seu corpo com o cuidado que ele merece antes que seja tarde demais. Nosso veículo físico é sagrado e é um só. Não que a magia vá lhe deixar doente, mas o descuido com os reflexos dela pode fazer exatamente isso.

Aprenda uma modalidade de cura

Primeiro, aprenda alguma modalidade de cura ou mais de uma. Aprenda sobre ayurveda, medicina chinesa, herbalismo e fitoterápicos, alinhamentos energéticos, do-in, faça ao menos o reiki 1, etc. Quanto mais entender do funcionamento do corpo e puder ajudar aos outros e a si, melhor. Também não rejeite a medicina tradicional. Ela é necessária em muitos casos.

Não precisa saber tudo de anatomia, mas tenha uma base, e entenda principalmente como funcionam os fluxos de chi, prana, etc. no seu corpo.

Atenção a tudo que põe para dentro

Todo mundo agora tem um alimento incrível que resolve tudo, seja o óleo de coco, a farinha de linhaça dourada ou eliminar o glúten da dieta. O mesmo se dá com óleos essenciais ou ervas que as pessoas ficam fanáticas e garantem que não há outra igual. A abstinência de certos alimentos e bebidas também é usada como motivo de orgulho.

O que entra no seu corpo é assunto seu, e deve ser aquilo que o seu corpo precisa ou consegue processar. Não se guie pelo que faz fulano ou beltrano, pode não funcionar para você. E há casos em que durante certos períodos seu corpo pede que você não consuma certas coisas em razão das energias com que você está trabalhando. Passou mal? Preste atenção e respeite. Também respeite as tradições de certas conexões com divindades, por exemplo, você se abstém de cerveja porque vai fazer um ritual especial com Demeter, ou se uma divindade de repente pedir que você coma algo que não gosta, mas que está ligado à forma com que precisa preparar seu corpo para receber aquele poder específico.

Alergias e intolerâncias

Há quem defenda que nosso desmame e adaptação precoce a alimentos sólidos quando bebês pode nos predispor a sensibilidades alimentares que vão se manifestar mais tarde. E isso tem tudo a ver com o trabalho mágico. Há quem diga que quanto mais potencial mágico tiver uma criança, maior a chance de seu corpo ser sensível e reativo. E mais, nossos corpos, devido a tantas mudanças alimentares, não responde mais tão facilmente às curas oferecidas pela medicina natural. Os tratamentos vão precisar ser adaptados.

O corpo responde à entrada de poder ou a passagem de seres que vêm dos planos interiores (e precisam de nós para chegar aos planos exteriores) como se fossem invasores, e ativa nosso sistema imunológico. Caso você tenha alergias graves e sensibilidades que se desenvolveram desde a infância, isso vai desencadear uma série de reações ou até uma crise inflamatória. Se você já tem uma série de alergias e sensibilidades antes de começar, vá com muita calma e talvez repense se a bruxaria é mesmo para você.

O que ajuda? Meditações que visam calar a mente, a prática de yoga, alinhamentos energéticos e de chakras, cuidados consigo, pontos de sedação do triplo aquecedor pela medicina chinesa ajudam a diminuir essa reação.

Nosso corpo se transforma ao longo dos anos e, para o bruxo, as alterações no nosso sistema imunológico são ainda mais aparentes. O que não incomodava aos vinte, causa crises horríveis aos 35.

Para ser recompor após uma sessão de trabalho intenso, lembre de se desconectar de tudo que é mágico. Vá assistir uma bobagem na TV, caminhar no parque ou olhar vídeos de gatos no facebook. Evite temas relacionados à qualquer coisa de magia. Em termos de alimento, busque carboidratos leves (vá de acordo com suas sensibilidade) e saudáveis. Se você reage bem à aveia e arroz agora, isso pode mudar daqui alguns anos. Vá adequando. Se algo é um veneno para o seu corpo, corte. Simplesmente corte. Disciplina também é parte do caminho.

Fontes de proteína

Proteínas são outra questão. Quem escolhe ser vegetariano ou vegano, precisa se preparar porque certos tipos de magia terão efeito muito mais drástico no seu corpo enquanto outras correntes são mais acessíveis a quem não consome animais. Observe que tipo de trabalho lhe afeta mais. Da mesma forma, se não estiver disposto e cortar a carne por certos períodos, algumas operações não estarão ao seu alcance.

A autora inglesa Josephine McCarthy diz que temos de fugir dos tabus e filosofias e pensar como magos. Devemos suprir o que o corpo precisa (não o que você quer). Observar o que certas atividades nos causam, em que país e território moramos e como são os espíritos do lugar e a divindade com a qual trabalhamos. Ela observou que dependendo do lugar, é necessário comer carne, ou certas carnes, enquanto essa mesma fonte de nutrientes pode causar problemas em outras regiões do globo. Alguns espíritos do lugar podem não nos enxergar se não comermos carne, enquanto outros podem não se aproximar de nós se comermos. Alguns planos interiores são mais fáceis de acessar para veganos; outros são totalmente perigosos para quem não está aterrado comendo carne.

Se você passa mal, fica inchado ou tem gastrite, por exemplo. Em vez de ir direto para os remédios, comece a atentar para os alimentos que estão causando isso.

Antidepressivos

Respeite seus limites. A prática mágica gasta serotonina. Se estiver sofrendo de depressão e precisa tomar antidepressivos para reestruturar sua química interna, faça apenas trabalhos voltados à sua própria cura ou ritos devocionais, criações artísticas e meditações simples durante o período em que se recupera e se medica. Nada de sair fazendo contatos e desbravando novos mundos.

Se você desenvolver a síndrome das pernas inquietas, tremores, falta de sintonia no seu relógio biológico e apatia emocional, pode ser um caso de burnout e falta de dopamina. É hora de parar de trabalhar com magia e deixar que o corpo se recupere.

Álcool, THC, opiáceos e plantas de poder

Todos esses diminuem nossa capacidade de mediar e lidar com poderes e forças. E também baixam nossas defesas e proteções. É natural que quanto mais fundo você vá em trabalhos de visões, menos tolerância você tenha ao álcool.

Muito cuidado com substâncias alucinógenas. É muito diferente um pajé ou xamã usar plantas para auxiliar seus trabalhos de curas. Eles estão bem treinados e muito bem apoiados em uma série de práticas e modo de vida que vem de toda uma linhagem, com seus guardiões bem firmes e seus espíritos aliados todos a postos. Um mago moderno e urbano, acostumado a percorrer caminhos chegando inclusive a planos muito mais profundos dentro da árvore da vida, por exemplo, pode ir parar em lugares e situações muito desagradáveis, sem ter nada que fazer lá e completamente sem nenhum preparo ou proteção para aquilo. É muito diferente você fazer seu trabalho de forma consciente, com claros limites entre o mundo físico e os planos interiores. O uso de plantas serve de catapulta e passa por cima de uma série de processos que nos servem de proteção.

Porém se você é um bruxo ritualista que não usa magia visionária e não tem muito talento natural, o uso dessas plantas podem lhe auxiliar a fazer contato com certos seres. Pesquise bem a planta, descubra seus mitos e lendas, escolha uma que cresça naturalmente na região onde você está e que seu corpo possa aguentar, e vá ao encontro dela com muito, muito respeito.

Plantas de poder, uma vez ingeridas, passam a morar em nós, elas tendem a mexer no nosso DNA, digamos, e se entrelaçar conosco. Plantas professoras nos leem e, se consumidas no local, contexto, ambiente e propósito adequados, podem nos dar exatamente o que precisamos.

Processando grandes cargas energéticas

Em vários de nossos trabalhos também recebemos injeções de energia que precisam depois de tempo e repouso para serem integradas. É o caso de quando recebemos uma iniciação ou fazemos contatos com seres angélicos (não os bonitinhos com asas que você imaginou, os anjos de verdade, esquisitérrimos com formatos aterrorizantes e pouco interesse nos seres humanos). Muitas vezes, se nosso preparo e treinamento é adequado, temos filtros no lugar (e também os próprios seres nos leem e usam filtros para se comunicarem conosco sem causar nossa destruição).

Mesmo assim, todas essas instâncias exigem que a gente repouse depois, tire um tempo fazendo atividades mundanas para aterrar, coma direitinho, durma e beba bastante líquido, leia-se água, sucos naturais e chá, álcool não vale.

Se soubermos perceber e respeitar nossos limites com sabedoria, vamos sofrer menos o rebote de tudo que fazemos. A quantidade de bruxos que conheço, e vejo outros amigos comentando também, que estão com depressões graves, déficit de atenção ou doenças indiagnosticáveis, que lhes roubam muita energia e deixa-os letárgicos ou com um problema atrás do outro, é alarmante. Eu me incluo nisso. Mesmo sempre tendo sido meio CDF em higiene mágica e cuidados com a saúde, e mesmo tendo sido muito bem preparada para comportar grandes shifts energéticos nos últimos anos, estou colhendo no corpo dificuldades que provavelmente vêm de abusos cometidos ou de mero reflexo do caminho energético que escolhi.

Em resumo, quanto mais você está envolvido com trabalhos profundos de magia e transformação, mesmo que a serviço de causas nobres e maiores do que seu ego, mais dinâmicas são essas mudanças na sensibilidade física. Preste atenção a tudo. Não se prenda a filosofias externas ou mesmo às suas próprias. Elas podem não ser adequadas ao caminho que você escolheu.

O seu próprio corpo e suas reações aos trabalhos mágicos vão lhe ensinar muito mais do que qualquer professor, workshop, treinamento ou grimório.

 

**texto de Petrucia Finkler

Nosso Conclave

 Conclave

s.m. Religião. Reunião dos cardeais, integrantes do sacro colégio de cardeais, com o propósito de nomear/eleger um novo papa.
P.ext. Local no Vaticano destinado para essa reunião.
P.ext. Conjunto de pessoas que se encontram para discutir ou deliberar (algo); congresso ou encontro.
P.ext. Encontro que acontece secretamente; conventículo.
P.ext. Lugar em que se dá esses encontros e/ou reuniões em segredo.
(Etm. do latim: conclave.is)

No latim, quer dizer um local fechado à chave, outro conceito muito apropriado como descrição do tipo de encontro a que se destina esse grupo:

Um projeto de formação mágica com a ideia de reunir um grupo fechado e sólido para práticas aprofundadas e a ideia futura de constituir uma tradição de bruxaria. 

Essa página aberta visa apenas trazer a público algumas discussões que considerarmos pertinentes, bem como avisos de eventos abertos à comunidade que por ventura tenhamos a oferecer.