Sobre Petrucia Finkler

Astróloga, taróloga e bruxa. Multifacetada, multiétnica, politeísta e polivalente. Criadora do Conclave da Rosa e do Espinho, um conclave de bruxaria tradicional moderna.

Nova turma presencial

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Atendendo a pedidos, estamos abrindo uma nova turma presencial (São Paulo) em 2019. Veja as datas, currículo e outras informações no formulário: https://forms.gle/Sx8PiTLyztghYCr4A

 

Inscrições para 2019

46648918_2088088157942526_4529599400875393024_nNo último feriado, a turma 2018 de formação mágica teve a oportunidade de vivenciar seus ritos de teste e formatura dentro de um retiro espiritual em um local de muita natureza. Foi uma ideia meio arriscada, que deu muito, muito certo. E vai ficar.

Assim como o formato da própria formação foi totalmente remodelado neste ano, também esse acréscimo de um encerramento assim grandioso, com práticas avançadas de bruxaria xamânica junto à natureza, se mostrou algo tremendamente positivo.

Portanto, é com grande alegria que anuncio a abertura das inscrições para  nova turma de formação mágica, e este será o quarto ano em que este treino é oferecido.

A proposta é de um treinamento abrangente que prepara o buscador, dando material de preparo energético e bases do funcionamento da magia, junto com uma revisão e análise pessoais  profundas, algo fundamental ao processo de qualquer adepto do caminho. Também ofereço várias pitadas de tradição oral pertencentes ao universo da Bruxaria Tradicional europeia e muitas oportunidades de discussão para o estímulo a um pensamento e um senso crítico mais desenvolvidos. Este conjunto não visa conter ninguém, mas amplificar, preparar, para que cada um alce voo onde mora seu chamado da alma, confiante em saber distinguir o caminho que é de fato para si, onde poderá entoar a sua parte da grande canção.

São nove encontros mensais, presenciais, cada um com uma média 6 horas de duração. Há uma segunda turma, online, com dois encontros por mês, à noite, sempre numa quarta-feira. Se você se interessa pelo material, mas não consegue se comprometer com as datas de nenhuma das turmas, pode optar pelo programa de mentoria espiritual, que também pode ser totalmente talhado para você, e seguir seu treinamento de forma individual.

Para saber os detalhes, o que entra na formação que ofereço, datas, valores, etc, e se inscrever para tentar uma vaga, clique neste formulário: https://goo.gl/forms/THySkC1E02k2IMd32

Nos vemos em fevereiro 2019!

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Fogos Sagrados de Hécate 2018

**O seguinte relato foi escrito sobre a experiência do ritual Fogos Sagrados de Hécate, um evento mundial, sempre na lua cheia do mês de maio. O rito este ano aconteceu em meio a greve dos caminhoneiros, no dia 28/5.

 

“Em uma caverna escura, um caldeirão borbulhante chia e respinga, e três bruxas aparecem circulando em volta do caldeirão, cantando feitiços e adicionando ingredientes bizarros à poção – olho de lagartixa e pata de sapo, pelo de morcego e língua de cachorro. – Hécate  se materializa e elogia as bruxas pelo seu trabalho.”

– Macbeth. William Shakespeare. Ato 4, cena 1. –

HSF-2Depois de quase dois anos me dedicando ao meu reencontro com quem eu havia me tornado dentro da Bruxaria, eis que retorno ao meu primeiro ritual em comunidade honrando a mesma divindade a que tanto pedi por auxilio nos anos antecessores. Foi com o direcionamento dela que o Covil dos Feiticeiros nasceu, e pude me reencontrar dentro da bússola das bruxas. Eis que então fui convidado pela Petrucia, em nome do Conclave da Rosa e do Espinho, a levar um poema em homenagem a Hécate; Conclave esse ao qual também estou adentrando como um estudante e aprendendo sobre outros rumos que a Bruxaria pode me levar.

Eu me senti ansioso em estar ritualizando novamente com outras pessoas da Arte e ao mesmo tempo eufórico pois teria a chance de me manifestar sobre Hécate ao vivo, levando um pouco sobre o que ela representa pra mim, independente dos rótulos atribuídos a ela genericamente, por isso não vou me atentar em escrever sobre Hécate de forma categórica, existem muitos materiais e artigos seguindo tal raciocínio; o que eu quero é descrever minha experiência pessoal com essa divindade tão aclamada pelas bruxas.

Em contrapartida a tudo isso, eu também senti que seria um desafio esse ritual, não só para mim, mas para todos os que se propuseram a ir. O céu já estava anunciando tempos tumultuados e assim foi para os que compareceram e acredito eu que esse fato fez com que a energia que nos envolveu fosse ao mesmo tempo intensa e receptiva desde antes da ritualística iniciar pois havíamos transposto o medo da crise da gasolina para estar ali, honrando uma Deusa que ouviu a todos em diferentes momentos, e isso criou uma harmonia entre nós, um silencioso entendimento, fazendo com que o ritual tivesse algo de intimista nos envolvendo.

O ritual foi lindo, e não sei se há uma forma de descrever as emoções que transitaram por ali naquelas horas mágicas. Passamos pelas tochas, pela limpeza, pela encruzilhada e então construímos nossa oferenda a ela coletivamente na forma de uma mandala de flores. Ouvimos cães uivando desde o início da cerimônia até o seu encerramento.

Eu declamei a minha poesia com um pé em cada mundo, exatamente como as encruzilhadas de Hécate; uma parte minha aterrada nesse mundo, uma parte transitando pelo mundo dos espíritos, e todo o meu ser encantado pela lua cheia que se encontrava acima de nós. Confesso que pouco me recordo de como foi esse momento, mas posso testemunhar sobre como foi me sentir feliz, completo e comovido durante todo o ritual. Compartilhei espaço com outra pessoa que também levou uma mensagem da Deusa, a Mary Pozza Desirée, fazendo com que todos nós ali presentes sentíssemos o quão profundo Ela nos toca e, novamente, acho que vale destacar o intimismo que mencionei acima, pois viver Hécate e estudar Hécate nos levam a conclusões diferentes, mesmo contendo similaridades, e claramente todos ali vivenciam Hécate de forma intensa, era nítida a comoção sentida.

Realizamos a sequência ritualística proposta pela Sorita d’Este dentro do “Her Sacred Fires” e então encerramos nossa homenagem. De coração preenchido, foi como se o mundo tivesse parado por alguns instantes e todas as cargas que ele acarreta, retiradas de mim. Posso relatar a emoção que senti após assimilar todo o ritual e todas as emoções que transitaram pela minha alma; uma plenitude ampla intensa, não eufórica e agitada, mas acalentadora e poderosa.

SAGRADOS FOGOS DE HÉCATE

Antania, Einalian, Lycania, Monogenes, Brimo, Dadophoros. Minhas palavras correm pelo ar. 

Na hora das bruxas eu me posto diante do altar cujos caminhos me levam à terra, ao céu e ao mar.

A escuridão se esvai a medida que Érebo cede espaço à luz do cheio luar e Nyx concede licença à grande imperatriz que vem pomposa brilhar.

Deixando minhas palavras correrem livres; bruxedos, malefícios e espíritos a conjurar, me posto de joelhos para a rainha das bruxas invocar.

Os crânios. A herança do poder que cada filho teu recebe daqueles que neste mundo em outros tempos costumavam teu nome pronunciar.

O fogo. Pálida luz que ilumina a escuridão em meio ao conturbado, terrestre, melancólico mundo que estamos a vivenciar. 

A chave. Entrada e saída por todos os portais que todas as verdadeiras bruxas aprendem, sem temor, a transitar. 

A adaga. Medeia que em sua ira colocou dois filhos para sangrar, e, sendo assim, mostrou a todos que ninguém melhor do que uma filha tua, para saber como e quando se vingar. 

Um buquê de ervas. Circe, que cozinhou, macerou e cantou canções para os mortos levantar, fazendo tremer o mundo, anunciando que nem mesmo a morte pode impedir suas crias de enfeitiçar.

Teus alvos cães cantam noite adentro os mistérios que só os caminhantes das sombras irão escutar. Anunciando a chegada daquela cujo nome emana magia ao entoar.

Hécate, tricefalos, artemísia, enodia, cthonia, phosphoros, propilaia, kourotrophos, soteira.

Mãe dos anjos, rainha dos espectros, filha das estrelas; matrona de toda pessoa que se orgulha em ser feiticeira.

Me abrace, me acolha, me lembre, de que nunca estarei só, de que tu andas ao meu lado e serás em vida e morte minha parteira.

Que se preciso for, assume além da forma de Pharmakeia, a de Deusa Guerreira.

Nós não somos os netos e netas das bruxas que não foram queimadas. Somos os ascendentes na Arte dos Indomados, tocados pelas sombras e escolhidos em nossas próprias encruzilhadas. 

Somos as novas bruxas da Tessália e os novos feiticeiros de En-dor. Somos a herança do amanhã, a beleza por trás da provação e o mistério que envolve o ciclo da renovação.

Ouça-nos então Hécate. Seja nosso pranto, nosso conjuro, poema ou oração.

Ouça com fervor as vozes que reverberam tudo aquilo que habita o nosso coração.

Vivemos a vida deliciosamente em uma eterna e eufórica alusão

A tudo o que os puritanos condenam ao inferno da perdição por medo do que podem encontrar ao se depararem com tua imensidão.

Então,

Hécate que olha pelos que caminham em genuína verdade. 

Cujas vozes são ecos de tua divindade.

Cujos poderes são aspectos de tua complexidade.

Cujos reflexos são lembretes da sua veracidade. 

Receba estes agrados, nos teus fogos sagrados, deste feiticeiro e toda essa comunidade.

– Raphael Narciso Kakazu –

– Raphael Kakazu é designer gráfico e amante da Feitiçaria arcaica, também chamada de Bruxaria Tradicional. É idealizador do Covil dos Feiticeiros e uns dos novos membros na formação do Conclave da Rosa e do Espinho. Facebook/Instagram: @covildosfeiticeiros

HSF-3

Nova turma de formação

É com muita alegria que anunciamos a programação da nova turma de formação em magia. Desta vez, há muitas modificações, a duração está mais curta, porém os encontros estão mais longos e o enfoque foi alterado. Anteriormente, a formação mágica oferecida pela Petrucia Finkler poderia ser levada para qualquer área ou vertente, era bastante neutra, digamos. Agora, o enfoque já vai de cara mais na linha da Bruxaria Tradicional Moderna, embora, claro, a maior parte do que será exposto e trabalhado pode ser levado e usado onde cada um bem entender, depois que a formação é concluída.

Enfim, datas, explicações, valores, currículo, como, quando, onde, etc… está tudo explicado no formulário:

https://goo.gl/forms/s0oNbfZQU3kFkvo53

Beltane com Sekhmet

IMG-20171104-WA0079Na Lua Cheia de Novembro passado celebramos um ritual aberto na Casa Muká, que sempre nos recebe muito bem, honrando a Deusa Sekhmet e o festival pagão de Beltane.

O período do ano anunciava um tempo de purificação depois do inverno e preparo para a exuberância da vida durante o calor do verão e ápice do Sol. Sekhmet combina muito bem com isso, pois é uma Deusa de cura, de justiça e também de festa e prazer.

Para a noite, em um grupo de quase trinta pessoas, entoamos o nome d’Ela, invocamos a presença da Deusa, oferecemos cerveja vermelha (muita!), escolhemos extirpar algo que não cabe mais nas nossas vidas, nos purificamos nos fogos de Beltane, fizemos pedidos – que foram energizados pelo coletivo.

Teve dança sagrada em reverência da Deusa, oferecida pela linda Nadja Cruz.IMG-20171104-WA0073

E ao fim, antes de partirmos para a nossa celebração de comes e bebes, clamamos pela força defensora da justiça e da cura de Sekhmet para que atue na nossa cidade, no nosso país e no nosso mundo.

 

Somos o fogo ardendo e brilhando

Somos desejo na noite andando

Clamamos por Ela aqui e agora

Dançando e transformandoIMG-20171104-WA0054

Fogos Sagrados de Hécate 2017

(Este texto se refere à noite de lua cheia em Escorpião, data mundial dedicada aos Fogos Sagrados de Hécate, que nosso Conclave teve a honra de celebrar em ritual aberto.)

Por Talita de Souza **

“Hoje ainda, se algum homem sobre a terra com belos sacrifícios conforme os ritos propicia e invoca Hécate, muita honra o acompanha facilmente, a quem a Deusa propensa acolhe a prece; e torna-o opulento, porque ela tem força.” (Hesíodo, Teogonia).

 IMG-20170511-WA0029Este texto demorou para ser elaborado, assim como todas as percepções pós ritual dentro de mim.

Quando comecei a escrevê-lo, não sabia muito bem por onde começar porém logo me veio à memória a primeira vela acendida e um amor que me inunda até hoje.

Deusa primordial, suas origens são desconhecidas, mas com certeza, é uma Deusa tão antiga quanto o mundo. Tem parte do Céu, do Mar e da Terra.

Ligada à Lua Nova e à Lua Escura, às encruzilhadas, tem poder sobre os momentos liminares de nova vida. Rege as mudanças da existência, opera nos lugares onde a água e terra se mesclam. Tem como principais símbolos os cães, as chaves, a encruzilhada e a tocha.

Conhecida por muitos epítetos, é a Guia que ilumina o caminho do Tártaro com suas tochas, é Senhora que abre e fecha caminhos com suas chaves, a de cabeça luminosa que, com sua carruagem, ilumina a escuridão e dá alento às almas perdidas em seu caminho.

Deusa Generosa, Salvadora, Padroeira, que rege a fertilidade e é capaz de dar o que lhe for pedido. 

Embora representada por três deusas, ligadas às três faces da Grande Mãe- Donzela, Mãe e Anciã – há quem a veja como uma dama sem idade definida, por estar acima dos efeitos do tempo. Há quem a veja como uma senhora, a Velha. Também conhecida como Rainha da Bruxas, é Matrona da magia, pois muitos brux@s à ela pedem proteção e poder.

 Minha história com Hécate começou há 14 anos. Durante minha adolescência eu mergulhei nos estudos de magia e bruxaria. Aos poucos fui descobrindo sobre a possibilidade de sermos regidos por Deuses e fui cada vez mais estudando sobre eles e vivenciando suas manifestações.

De verdade, só me recordo de abrir um livro e ver que, naquela data de 16 de novembro, rezava-se para Hécate, podendo-se acender uma vela preta ou qualquer vela escura, pedindo iluminação e mudanças de vida. Fui conferir e só tinha uma pequena vela verde escura e lá fui eu…lembro -me de dizer as seguintes palavras: “Abra os caminhos que julgar necessário abrir e feche os caminhos que julgar necessário fechar”. Três dias depois estava sendo entrevistada para minha primeira vaga de estágio, esta que um ano depois, se tornou meu primeiro trabalho registrado.

Naquele dia ela me ouviu e naquele dia, pela primeira vez, deixei conscientemente minha vida na mão de um Deus numa confiança e amor profundo. E desde então assim tem sido.

Mesmo dura e implacável – sim ela também o é – e por mais mudanças difíceis que tenha passado, nenhuma aconteceu a mim sem antes ela avisar, me preparar e mostrar que eu não estaria sozinha.

Meus ritos sempre foram solitários e minhas ofertas honestas e sempre aceitas. Por mais que tenha me afastado dos estudos mágicos durante certo tempo, minha devoção à ela sempre se manteve fiel.

Ao retornar à formação mágica através do Conclave, minha relação com Hécate começou a ganhar contornos mais cerimoniais. Passei a me aprofundar em suas histórias e ritos, seu altar ganhou novas dimensões físicas e ofertas mais robustas.

Dentre todas as atividades do Conclave, no início de maio iniciamos então a preparação do ritual de Fogos Sagrados e, a convite de Petrucia, ficaria de preparar um texto explicando quem era essa Deusa, foi numa tarde em sua casa, com nosso pequeno grupo, enquanto preparávamos os amuletos do ritual, lapidávamos sua estrutura, separávamos os instrumentos.

Demorei mais alguns dias e, numa segunda à noite, sentei à frente de seu altar, me coloquei à sua disposição e pedi que me mostrasse como gostaria de ser vista em sua noite.

Lembro-me apenas de vagos momentos nesse plano, pois fiquei vários minutos em sua companhia, visitando lugares sagrados, sentindo suas diversas manifestações.

Após essa viagem, me recordo apenas de minhas mãos inquietas, necessitando de caneta e quando passei a escrever, eram movimentos automáticos, eu não as dominava mais.

Então naquele momento, eu soube que poderia escolher qualquer palavra para descrevê-la, mas seriam as suas palavras que deveriam ser ouvidas.

 

O ritual.

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Tochas acesas, introdução feita. Caminhamos até o guardião, nos limpamos e nos colocamos em volta do fogo. Honramos os elementos e cada vez mais a energia em volta se tornava densa, forte e sua presença em volta de nós podia ser sentida. Naquela noite eu a vi como senhora das correntes, vestida de negro, olhando sobre todos nós, sentindo nossas intenções. Em certo momento minhas mãos cresceram de tamanho, e me vi ligada por essas correntes. Nossos ancestrais presentes, purificados. O espaço-tempo já era outro, desde quando começamos a entoar nossos diversos cantos. E desta forma permaneceu até os Sagrados Ritos terminarem. Naquela noite acordamos a terra, a Deusa nos ouviu e iluminou o caminho dentro de nós para o tempo escuro que se iniciava.

E como qualquer bom trabalho mágico realizado, a magia tem início dentro de nós.

Os Ritos dos Fogos Sagrados são, para mim, acima de tudo, acordar nossos fogos internos que iluminam nosso caminho interno. Pode-se falar sobre Hécate a partir de diversos epítetos, dar-lhes diversos atributos, mas trilhar o caminho dessa Deusa é trilhar sua própria escuridão e entender que o Fogo Sagrado que acordamos na terra naquela noite, permanece em nós e cabe a cada um mantê-lo acesso e percorrer nosso caminho de evolução.

 

Prece intuída

 

Sou o Caos

O mundo acima e abaixo

A terra que move aos seus pés

Sou a cor e a fúria

branco e negro

O caos que move o mundo

Sou a Rainha de tudo

Hécate me leva em sua carroça, Ela corta a escuridão, abre a luz com sua tocha

Ela é piedosa com os espíritos perdidos

Já foi Donzela, Mãe e Anciã antes do mundo existir

As partículas contidas no breu do mundo foram as serventes da criação

E se deu a Luz.

“E eu continuarei a reinar acima do mundo”

Sou velha, filha, sábia

Aquilo que vos é indiferente, aquilo que vos é estranho

É nesse des-conhecimento que eu moro.

Naquilo que não tem palavras

Na ante-criação

Onde mora o amor, a compaixão

Onde oferto o seio ao filho que chora

Abro os caminhos do destino com minhas chaves

Desenterro o Mal e o exponho à Luz. E assim o queimo com minha tocha

Mas sou implacável quando se perde a Ordem.

 

**Talita de Souza é terapeuta, bruxa, filha de Hécate e Odin e apaixonada por dança flamenca. Já passou pelo caminho da Bruxaria Natural e, em 2016, oficializou sua caminhada pela Bruxaria Tradicional através do Conclave da Rosa e do Espinho.

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A pirâmide dos bruxos

***por Petrucia Finkler

Embora muitos bruxos tenham ouvido falar nos quatro pilares da bruxaria, Saber, Querer, Ousar e Calar, pouco se escreve sobre o assunto e menos ainda se vê sobre esses preceitos sendo colocados na forma da Pirâmide dos Bruxos, que tem algumas leves variações em relação a esses conceitos. O melhor texto que conheço é do clássico, Mastering Witchcraft, de Paul Huson, cuja tradução partilho com os participantes da formação mágica do Conclave. Mesmo assim, tenho alguns senões em relação ao texto do Huson, na verdade mais na parte do Silêncio, que vejo de forma distinta.

Quando passei por meu treinamento formal com meu professor americano, me foi exigido que eu confeccionasse um modelo funcional da pirâmide dos bruxos e escrevesse um documento defendendo o que eu entendia daquilo tudo.

Para complementar a explicação clássica, portanto, segue a minha visão sobre essa pirâmide que é a base de toda nossa prática mágica e cujos componentes somados nos levam à excelência.

Significado da pirâmide dos bruxos

A pirâmide dos bruxos é um lembrete e um catalizador, fala das condições indispensáveis que ajudam alguém a alcançar o conhecimento e o poder dos magos. Ela é como um sistema fechado: se um dos lados está defeituoso ou falhando, a energia vaza e a magia se torna menos eficiente.

Cada uma das paredes também forma um triângulo, indicando o princípio por trás da manifestação mágica enraizada no número três. Segundo a metafísica, para poder manifestar algo, três componentes devem estar presentes: tempo, espaço e energia. Ao empregar os princípios de cada uma das laterais das paredes da pirâmide, baseada no conhecimento e apoiada no amor, a energia mágica começa a condensar.

A base da pirâmide – O Conhecimento

A base da pirâmide, bem como de toda prática mágica é o Conhecimento. No meu entender, o conhecimento pode vir de muitas fontes diferentes. Pode ser entendido como inteligência que é iluminada pelo estudo e absorvida dos livros, mas também pode vir de professores talentosos, da natureza e das nossas próprias práticas. Porém a primeira fonte de conhecimento com que devemos nos ocupar é a do Conhece-te a ti mesmo. A compreensão de nossas motivações, intenções, talentos, fraquezas e a forma como todos esses ingredientes afetam nossos pensamentos, comportamento e reações, além de nosso meio, é a base de um trabalho mágico bom e sólido. E isso exige uma espécie de força, alguém capaz de se abrir para examinar a sua verdade nua e crua, e aí mora a primeira força da sua pirâmide. 

O Interior da pirâmide – O Amor

O Amor é a cola de tudo no nosso universo. É a vibração e o ponto a partir do qual queremos agir e aprender. Deixar de lado emoções negativas (ódio, avareza, vingança, medo, competição, inveja…) não é fácil, mas as paredes de nossa pirâmide são apoiadas nessa estrutura interna de amor, generosidade, compaixão, respeito, apreço. O interior funciona tanto como um recheio quanto um apoio para as paredes. O amor nos conecta à fonte da criação, a fonte de tudo, e, assim, deve estar presente para ser vivido e usado aumentando o poder e qualidade de nossa magia.

As quatro paredes:

Pense na Pirâmide dos Bruxos como tendo quatro paredes. Cada uma delas corresponde a um princípio. Unidas, geram energia e poder que se afunila em um único ponto preciso, a soma de tudo e de onde o resultado é projetado no cosmos. Os quatro lados da Imaginação, Vontade, Fé e Segredo são por vezes mencionados como “Saber”, “Querer”, “Ousar” e “Calar”.

Imaginação

A imaginação é nosso poder nato de conjurar em nossas mentes qualquer cena que desejarmos. Pode ser em um sonho acordado, fantasias e devaneios, ou na forma de exercícios criativos ou artísticos. No entanto, porque tudo aquilo que criamos ou produzimos como humanos neste plano material precisa primeiro existir no plano de nossas mentes na forma de uma imagem (ninguém assa um bolo sem imaginá-lo antes, cria uma cadeira sem visualizar seu formato) e porque nosso cérebro não sabe diferenciar entre o que vemos com os olhos físicos ou o que vemos dentro de nossas mentes, esse é um poder dos mais interessantes. A Imaginação como ferramenta deve ser valorizada e desenvolvida. Por conceber imagens na mente, está ligada ao elemento Ar e aos planetas Mercúrio e Urano.

Uma imagem bem concebida pode evocar emoções fortes que ajudam a dar vida e movimento à nossa magia. Habilidades potentes de imaginação e visualização podem ajudar em nossa jornada aos outros mundos e ao contatar entidades de outros planos. Ao aceitar o poder de nossa imaginação e encorajá-lo, nos disponibilizamos para as experiências espirituais nos capacitando a visualizar e acessar coisas que nunca vimos e lugares que jamais visitamos.

Na feitiçaria usamos muitoa a visualização criativa, é importante enxergar com total clareza e vivenciar o resultado desejado nos mínimos detalhes, envolvendo todos os nossos sentidos – e isso pode ser alcançado através da capacidade de imaginação.

Einstein dizia: “A imaginação é mais importante que o conhecimento.”. Nas palavras de George Bernard Shaw: “Você vê coisas e se pergunta ‘Por quê?’. Já eu sonho coisas que não existem e digo, ‘Por que não?”.

Vontade

Uma vontade férrea é necessária para moldar a realidade. A vontade aqui fala de tomar uma decisão relativa a um desejo que queremos manifestar. É por isso que é tão importante saber o que de fato queremos, no cerne do nosso ser.

Aleister Crowley dizia que a Verdadeira Vontade é um dos pontos cruciais que um mago deve saber, já que a Vontade Verdadeira é a base do ser. “Amor é a lei, Amor sob Vontade”, não é mesmo? A Vontade Verdadeira é a quintessência do ser. Como é movida por autopreservação, é a parte que mais provavelmente reflete o que a pessoa de fato quer e precisa.

Apenas saber o que desejamos e imaginar o resultado final não basta. Precisamos ter a vontade de tomar a decisão firme de colocar a magia em movimento, de direcionar nossas forças, de iniciar a mudança de consciência que possibilita alterar a realidade.

Para efetuar essa mudança na realidade, precisamos ter uma vontade inabalável, que não permite que nenhum pensamento conflitante interfira com nosso desejo imperturbável, e focar em nosso objetivo: uma Vontade inquebrável. Por conta dessas características, se relaciona ao elemento Fogo e aos planetas Marte e Sol.

Ao exercermos nossa Vontade e moldar a realidade (e a nós mesmos) comungamos com os Deuses, tornamo-nos criadores. E criar envolve responsabilidade. Quanto mais forte e mais treinada essa Vontade, mais precisamos atentar ao que pensamos; definitivamente não podemos chamar de volta ou revogar qualquer coisa que a gente liberte no mundo. Saber quando aplicar essa vontade é parte de nossa responsabilidade.

Este princípio fala da confiança em si e no mistério, no desconhecido. Fé quer dizer sentir que não estamos sós, mas somos apoiados pelo universo e ousamos acreditar na força de nosso poder. sem essa profunda crença em nós mesmos, em nossas habilidades, em nossa experiência, nossos sonhos e a disposição de penetrar nos mistérios, nossa magia é inútil, porque sem esse ingrediente intrépido, não vamos jamais nos jogar no desconhecido. Como diria meu amado professor, Amatheon: “A magia nunca é segura”.

Essa abertura e confiança têm relação com o elemento água e os planetas Júpiter e Netuno.

Segredo

Um mago ou bruxo não deve tagarelar ou contar vantagem sobre sua vertente, suas práticas, conquistas e sucessos. O maior poder reside no silêncio, e quanto mais o silêncio for respeitado, mais ela/ele vai adiante em seu caminho.

Este princípio não se restringe a não comentar sobre os feitiços que você está operando ou criando porque poderia dissipar seu poder, mas funciona como uma diretriz de disciplina. Não precisamos exibir nossos poderes ou fazer alarde sobre nosso estilo de vida (nossas roupas, adereços, ferramentas, altares, celebrações, rituais, práticas, etc etc etc) – isso pode nos enfraquecer! Se abrirmos muito espaço para o ego, podemos ser desligados de nossa fonte de poder, então essa reserva deve ser entendida como prudência, algo que nada pode corromper ou envenenar. Também o mistério desperta a curiosidade, aumenta a imaginação, confere sacralidade a tudo que fazemos e nos dá mais controle. É o mistério que reforça nosso magnetismo também, essa qualidade elusiva que atrai para nosso círculo as pessoas certas.

Pensando nisso, reflita sobre como essa lateral da pirâmide está desfalcada ou é ignorada em tempos de mídias sociais e câmeras onipresentes.

Porque este princípio estabelece limites muito firmes, está relacionado à energia do elemento Terra e do planeta Saturno.

Há o momento de falar, mas, com muito mais frequência, nos é exigido de saber ouvir.

Esses seis componentes: Conhecimento, Imaginação, Vontade, Fé, Silêncio e Amor compõem a Pirâmide dos Bruxos. Dominar esses princípios ativam o poder da Pirâmide e suas qualidades vão responder à magia que reside nela. Agora vamos somar a isso o poder da geometria sagrada que é evocado pela forma piramidal.

 

A pirâmide como exemplo de Geometria sagrada

 

piramidesA Grande Pirâmide de Giza é a estrutura antiga mais substancial do mundo – e a mais misteriosa. Segundo a teoria arqueológica dominante, as três pirâmides do platô de Giza são estruturas funerárias de três reis da quarta dinastia, mas alguns argumentam que não há absolutamente nenhuma evidência que confirme essa ideia. Cobrindo uma área de 53 mil metros quadrados, foi construída com cerca de 2,5 milhões de blocos de calcário pesando em média 2,6 toneladas cada um. A Grande Pirâmide era revestida de calcário muito polido  e branco e  coroada, segundo a lenda, por uma pirâmide perfeita de pedra negra, provavelmente, ônix. Seus únicos espaços internos conhecidos parecem ser a passagem descendente (a entrada original) e a passagem ascendente, a Grande Galeria, uma gruta misteriosa, uma câmara subterrânea igualmente misteriosa e as duas câmaras principais, chamadas de câmara do Rei e da Rainha.

Há muita discussão sobre se a pirâmide foi ou não de fato construída para servir de tumba, se chegou a ser usada para esse propósito, se os construtores da quarta dinastia egípcia tinham a capacidade de engenharia para erigirem-na e também sobre a idade de facto da pirâmide.

Há algumas evidências de marcas d´água e resíduo de sal que sugeririam que as pirâmides teriam pelo menos doze mil anos e passaram por um cenário de enchente. Seguem alguns fatos curiosos:

  • As laterais da pirâmide estão alinhadas quase que com total precisão aos pontos cardeais da Rosa dos Ventos. Esse alinhamento é extraordinário porque a discrepância é de apenas três minutos de arco em qualquer direção.
  • A pirâmide de Quéops funcionava como um enorme relógio solar. Sua sombra para o norte e a luz refletida ao sul marcava com exatidão as datas anuais tanto dos solstícios como dos equinócios.
  • As dimensões básicas dela incorporam medidas a partir das quais é possível calcular o tamanho e a forma da Terra. É um modelo miniatura em escala do hemisfério, incorporando os graus geográficos de latitude e longitude. As medidas por toda a construção mostram que os construtores conheciam as proporções do π (3,14) ou a proporção áurea (1,618) e os triângulos “pitagóricos” milhares de anos antes de Pitágoras.
  • As medidas demonstram que os construtores conheciam o formato preciso esférico e o tamanho do planeta e tinham mapeado com precisão eventos astronômicos complexos como a precessão dos equinócios.
  • Os eixos que sobem das duas câmaras principais, primeiro entendidos como sendo para ventilação, mostraram haver um outro propósito possível. Um robô miniatura rastejou mecanicamente pelos 65 metros subindo pelos eixos, e as descobertas sugerem que os eixos norte e sul na câmara do Rei apontam para Al Nitak (Zeta Orionis) e Alpha Draconis, respectivamente, enquanto os do sul e norte da câmara da Rainha apontam para Sirius e Beta Ursa Menor. Os cientistas que conduziram a pesquisa acreditam que a posição das três pirâmides espelham precisamente a posição das três estrelas principais da constelação de Órion.

 

Aí entramos no terreno da Geometria Sagrada. A Geometria Sagrada é o modelo da Criação e gênese de toda a forma. Em todas as escalas, cada padrão natural de crescimento ou movimento se conforma inevitavelmente a uma ou mais formas geométricas. Os antigos sabiam que esses padrões e códigos eram simbólicos de nossos planos interiores e a estrutura sutil da consciência. E assim, a experiência da geometria sagrada pode ser considerada essencial para a educação da alma.

phiFormas geométricas na verdade representam os estágios manifestos do “ser”. Observar e trabalhar com unidade e completude na geometria pode ajudar a abolir nossa falsa noção de separação da natureza e uns dos outros. Através da Geometria Sagrada podemos descobrir a proporção inerente, o equilíbrio e a harmonia que existem em todas as situações, toda realidade manifesta e até nas circunstancias do dia a dia.

Ao longo da história, observou-se que o Phi evocava emoção ou sentimentos estéticos em nós. A Proporção Divina foi estudada de perto pelo escultor grego Fídias, e como resultado, levou o nome de Phi. Também chamada de número de ouro, ou sequência de Fibonacci, o Phi pode ser encontrado em todo o universo; desde as espirais das galáxias, às espirais numa concha nautilus; da harmonia musical à beleza artística. Um botânico vai encontrá-la nos padrões de crescimento das flores e plantas, e o zoólogo vai ver a relação na reprodução de coelhos. O entomólogo a observa na genealogia da abelha, enquanto o físico a constata no comportamento da luz e dos átomos. Um analista de Wall Street encontra essa razão nos padrões de alta e queda da bolsa, e o matemático a descobre ao examinar um pentagrama.

A proporção áurea era usada no projeto de construções sagradas na arquitetura antiga para produzir uma energia espiritual que facilitava a conectividade com os planos espirituais pela prece. A Grande Pirâmide é um bom exemplo disso. A altura tem uma razão Phi (proporção áurea) em relação à base. (Em outra época, a milhares de quilômetros, as civilizações antigas do México usaram o Phi ao construir a Pirâmide do Sol em Teotihuacan.

Portanto, a razão áurea funciona como a impressão digital da criação. Quando recriamos essa sequência que existe em constante movimento e expansão, temos na verdade “o movimento exato da da criação no processo expansivo”.

Esse número é um portal intra-dimensional pelo qual a matéria emerge na realidade 3D manifesta. Quando somos banhados por esse Número de Ouro, é inegável que seja uma das experiências mais harmônicas e balanceadas que podemos experimentar.

Isso explica por que pirâmides e semiesferas se encontram entre as formas que têm significado espiritual (como os domos, que estão presentes em tantas edificações religiosas). Essas formas são emissoras de energia, produzem um tipo de onda de transporte penetrante que os radiestesistas franceses Leon De Chamery e Antoine de Belizal chamaram de verde negativo (que age como ondas de rádio, transportando informação). A qualidade vibracional das ondas tipo verde negativo lhe dá fortes propriedades comunicativas, o que facilita a ressonância com planos superiores ao orar.

Pesquisadores nos anos sessenta que construíram modelos miniatura da Grande Pirâmide observaram que a forma piramidal de alguma forma misteriosa mantinha os alimentos preservados sem estragar, afiavam lâminas cegas, induziam plantas a germinar e crescer mais depressa e apressava a cura dos ferimentos animais.

Algumas fontes consultadas:

Grimassi, Raven. Encyclopedia of Wicca & Witchcraft

Farrar, Janet and Stewart. The Witches' Way

Huson, Paul. Mastering Witchcraft. New York: G. P. Putnam's Sons, 1973

©2007 Eric “Daven” Landrum  http://www.spiraloflight.com/ls_sacred.html

Nova turma de formação

A primeira volta deste ano de formação mágica do Conclave  Rosa e do Espinho está concluindo seu terceiro quadrante, estamos trabalhando dentro do elemento Água. Três meses de mergulho para entrar em contato e aprender a entender os tesouros nas mensagens de nossos sonhos e de incubar sonhos, trabalhar o Tarot de uma forma absolutamente intuitiva e então torná-lo uma ferramenta ativa fazendo magia com o uso das cartas, experimentar variantes nas técnicas que nos levam a estados de transe, trabalhar a energia corporal praticando técnicas taoístas de respiração macrocósmica ou ovariana, brincar com a mágica terapêutica dos aromas e ampliar nossos limites através da tão importante “transferência de consciência”.

A Água deu início à metade mais sutil e prática dessa roda a que nos propomos. No Ar e no Fogo, o volume de trabalho era maior, mais externo e mais intenso, numa apresentação e construção fundamental para onde estamos nos direcionando.  Na Terra, que começará no final de julho para esta turma, que é a primeira, vamos juntar tudo e ir ainda além.

A experiência de ensinar vem me ensinando também um bocado. As pessoas crescem, partes delas vão despertando, talentos acendem, e também outras se afastam. Esse tipo de formação em mistérios não é para todos, ou às vezes não é o momento, e a resistência pessoal fala mais alto.

Eu sigo aqui, sigo firme na minha proposta e, como vários interessados têm entrado em contato comigo ao longo desses meses, manifestando o desejo de participar de uma nova turma, decidi que vou encarar essa empreitada de novo.

A próxima turma de formação mágica começa na primeira quinzena de setembro.

Dê uma lida aqui para saber mais, e também aqui, para entender mais do tipo de vertente que abordamos. Para um entendimento poético do que constitui minha visão da bruxaria, leia o Sobre aqui no blog.

Envie um email para petruciafinkler@gmail.com para solicitar o formulário completo para firmar seu interesse e ver se essa formação faz sentido dentro das suas expectativas; leia com atenção e preencha no seu tempo. A DATA DE ENCERRAMENTO PARA ENVIO DO FORMULÁRIO É 18 DE AGOSTO DE 2016.

 

O Deus Cornífero

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texto de Andréa Souza*

Minha pesquisa sobre o Deus Cornífero começou como parte da minha formação no Conclave. Quando recebemos a tarefa de pesquisar um Deus ou Deusa, confesso que não soube bem por onde começar, afinal, são tantos os panteões e faces divinas. Mas os Deuses se apresentam e vão nos dando sinais, basta estarmos atentos. De repente, em todos os filmes ou comerciais que eu via (ou quando focava minha atenção) tinha a presença de chifres ou galhadas. Em meus sonhos passei a ver uma figura masculina chifruda a distância, sombreada. E como sempre acreditei no equilíbrio entre a força divina masculina e feminina, decidi mergulhar nesta pesquisa, uma vez que já tenho minha Deusa identificada.

Este post não tem a pretensão de fazer um relato histórico sobre o Deus Cornífero, pois são inúmeros os artigos publicados neste sentido, escritos por pesquisadores e historiadores. Meu objetivo aqui é refletir um pouco a cerca desta força masculina e como me conecto com ela.

Quando falamos no Deus Cornífero, podemos associar a duas imagens bem distintas: O Deus celta Cernunnos, fortemente cultuado pela Wicca, e o Diabo, do catolicismo. No entanto, dados históricos comprovam que representações divinas masculinas chifrudas estão presentes na história desde o Paleolítico e foram se ramificando e se apresentando em diversas culturas: Mesopotâmia, Índia, Egito, Grécia, entre outras.

Um parêntese aqui: O que para mim faz todo sentido, uma vez que o mesmo se deu com representações da divindade feminina.  Os dois princípios que se completam, presentes desde nossos primórdios e se transformando em sintonia.

O traço comum a todas as representações masculinas são os galhos na cabeça, que no meu entendimento, simboliza não apenas força física, mas uma sinergia com a terra, aquilo que está ao nosso redor, o que temos de mais primitivo e instintivo.  A galhada defende, mas também abre caminhos, protege e por estar presente em animais de grande porte, fala desta conexão com a vida instintiva. Tem também uma forte ligação com fertilidade e virilidade, pois ela lembra o falo ereto e não são estes dois aspectos instintivos? Existem comprovações históricas de diversos cultos a animais chifrudos (touros, alces, javalis) onde estes são os aspectos reverenciados.

devilE vamos dar um salto adiante: Quando pensamos no arcano 15 do Tarô, o Diabo, não são estas as associações que fazemos? Trazemos para este símbolo, a ligação com instintos humanos mais primitivos e carnais, alguns dizem mais baixos? (aquilo que acontece na terra? Na natureza? Sem qualquer presença do Ego ou da consciência?). Bom e aqui vai mais um sinal: Eu sempre vi este arcano como algo que é parte de nós. Confesso que não vejo uma carga negativa ou de perigo como a maior parte das pessoas. Vejo o Diabo como uma faceta nossa, em alguns momentos necessária. O cuidado é que não podemos viver só de instintos e desejos primitivos, contudo eles têm seu lugar em nosso desenvolvimento.

Se analisarmos por este lado, quando o catolicismo ganhou força e transformou a imagem do deus cornífero em Diabo, representando todo o Mal e o pecado, não era uma forma de banir qualquer contato com a força da natureza que está em nós? Nossos instintos e forças? O que é o Diabo, se não algo que nos tenta com aquilo que secretamente mais desejamos? Porém, da mesma forma que fez com a Deusa, transformada em Maria pois não seria possível excluir definitivamente a importância deste símbolo, o catolicismo reconhece que há uma parte em nós, representada pelo Deus Chifrudo, que busca esta energia primeva e que pode nos levar a lugares mais selvagens.

Neste meu contato com o Deus Chifrudo, eu não consegui nomear ainda por qual face ele se apresenta, por que acho que me relaciono com seu aspecto mais amplo, mais antigo. Teci em feltro o símbolo associado a ele e o coloquei no altar da minha Deusa e ela não o aceitou. Hoje, ele está em outro altar, com as Deusas primitivas que fiz e se deu super bem, então por enquanto, não sinto que é hora de nomeá-lo.

Quando ele se faz presente, meus sonhos são profundos, mergulho em meu mundo mais inconsciente, percebo-me mais desconectada do ambiente à minha volta, deixo meus instintos fluírem e sinto uma energia mais forte me percorrer, que se manifesta também por uma libido presente. Neste meu caminhar com o Deus Chifrudo, passei a compreender melhor meus instintos, a dar voz e espaço a eles e estou descobrindo uma força interior que me enraíza e me centra em mim mesma. Mergulhar nesta força Divina Masculina, tão conectada com aspectos primitivos, me fez rever conceitos e ideias.

O Deus Chifrudo nos convida a entrar neste universo mais selvagem e instintivo que está em nós.

*Andréa Souza é Psicóloga de formação, taróloga por paixão, há mais de dez anos, e terapeuta floral. Caminha pelo Sagrado Feminino há cinco anos e, em abril, formou-se Moon Mother. Desde 2015 participa da formação do Conclave, que lhe abriu novos horizontes e caminhos de estudo e prática.

Noite ritualística

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No último sábado, dia 21 de maio, havia dois eventos mágicos mundiais acontecendo ao mesmo tempo, a Bênção Mundial do Útero (originada por Miranda Gray) e a celebração dos Fogos Sagrados de Hekate (originada por Sorita D’Este).

Além disso, pelo sistema mágico de tarot, que foi o primeiro sistema mágico no qual trabalhei, essa lua correspondia à lua do arcano XIII, a Morte.

DIMG-20160522-WA0011ada que a BMU de maio no hemisfério sul, pela plenitude outonal, é acompanhada por uma meditação e trabalho de cura das ancestrais da linhagem materna, achei que seria lindo incorporar tudo isso em uma noite de vários rituais.

Começamos apenas com as mulheres, confeccionando bonecas de lã para representar a linhagem materna, e então recebendo em grupo a energia da Bênção e trabalhando essa cura de nossas ancestrais.

Em seguida, Renata Bastos, que é  a única paulistana que conheci que estudou com a mesma professora (que no caso ia a Porto Alegre regularmente para dar aulas para nosso grupo entre 2000 e 2001), e segue desde aquela época acompanhando as luas e mantendo os rituais para essas luas arcanas, nos guiou em um trabalho com o tarot para descobrirmos:

a) o que havia morrido em nós e precisávamos nos despedir

b) o que precisava renascer

c) qual era nosso catalizador ou agente dessa transformação.

Essas três respostas foram incorporadas pelas 15 pessoas presentes dentro do ritual que veio a seguir e culminou com o rito exato dos Fogos Sagrados de Hecate.

Foi uma noite muito bonita e potente. A ideia original era fazer dessa noite um ritual aberto mas, por questões pessoais, acabou sendo  com um grupo reduzido, mas valeu como o primeiro ritual organizado e apoiado pelo Conclave da Rosa e do Espinho.

Hekate prometeu muitas alianças se fizermos mais coisas em nome dela. Veremos o que vem a seguir.

Segue o rito dos Fogos Sagrados de Hekate, que é celebrado já há sete anos, sempre na lua cheia de maio.

Prelúdio:  

Posição confortável, respirar profundamente, encontrando seu equilíbrio de mente, alma e corpo, apresentando-se altivo e belo para o mundo. Inspire profundamente e encontre sua voz, a voz com que vai pronunciar palavras e intento puro e verdadeiro.

Respire profundamente e chame pela   liberdade que existe dentro de seu coração, de forma que você possa se expressar com pureza de intenção e com força de desejo.

Duas mãos sobre o coração (tempo de três batidas)

Dedo indicador e médio da mão dominante sobre os lábios (tempo de três batidas)

Então na testa (tempo de três batidas)

Cerre os punhos, com os polegares junto à palma (para dentro) e levante os dois aos céus.

Abra suas mãos com a palma da mão esquerda para cima, traga seu braço direito para o seu lado, com a palma para baixo e invoque a Deusa.

Invocação:

Eu lhe invoco, Grande Senhora do Paraíso, Terra e mar,

Por seus mistérios da Noite e Dia,

Pela Luz da Lua e pela Sombra do Sol

Eu lhe invoco, Senhora da vida, morte e renascimento

Emerge do reino das sombras para alimentar minha alma e iluminar minha mente

Senhora triplamente formada dos três caminhos

Eu lhe peço, Senhora portadora da Chave das Almas que Vagam pela Noite

Para enviar sua sabedoria dentre as estrelas

Para trazer seu fogo estelar da escuridão do meio

Criadora da Luz!

Deusa dos Reinos Sombrios! Rainha Portadora da Luz!

Sussurre agora seus segredos!

Portadora do Fogo! Telúrica! Rainha dos Céus!

[Erga ambas as mãos com as palmas para os céus (por três batidas do coração) e então toque o solo com as palmas para baixo.]

[Sente-se diante da vela e prepare-se para acende-la]

[Respire profundamente três vezes e permita que seus sentidos despertem]

Hecate, companheira e guia dos mistérios

Acendo esse fogo sagrado em sua honra [acenda a vela e caldeirão]  (tempo a todos)

Sua luz unindo as estrelas e as pedras, o céu e a terra,

Com este fogo eu expresso meu desejo por um maior entendimento de seus mistérios

Askei Kataskei Erōn Oreōn Iōr Mega Samnyēr Baui (3 vezes)

Phobantia Semnē,

Grande Hecate, que tece a teia das estrelas e governa a espiral da vida

Guia-me em direção das sendas do entendimento

De Encruzilhada em Encruzilhada,

Os Portadores da Tocha e os Portadores da Chave de seus mistérios,

Sempre encontrarão uns aos outros

[Agora, sente-se e assista a chama e dançar, permita-se focalizar nas diferentes cores da chama, os amarelos e os vermelhos, os azuis e brancos, e os negros.  Se desejar, pode decidir passar algum   tempo meditando   com   a   chama, buscando   visões   ou presságios.   Da mesma   forma, você pode querer extingui-la e manter a vela do seu verdadeiro Eu irradiar brilhantemente seus mistérios deste belo dia em diante, a chama do fogo do Hecate queima em seu coração!]


Agora expulso as sombras da dúvida de minha mente,

Imbuída com o silêncio e o calor da nossa união

Sinto o seu brilho dourado dentro do meu coração

E a glória do conhecimento sobre a minha fronte,

Sou aprendiz de seus mistérios

[Apague a chama e ponha as duas mãos sobre o coração (três batimentos cardíacos), o indicador e o dedo médio da mão dominante sobre os lábios (três batimentos cardíacos) e, em seguida, na testa (três batimentos cardíacos).  Abra as palmas das mãos em direção aos céus, então se abaixe e toque a terra.]