Encontro com a ancestralidade

Neste período do ano em que honramos os que já se foram, nada mais justo do que lembrar dos ensinamentos que ficam e aos quais ainda temos acesso.

** por Janaína Lemos.

tacho“Hoje eu limpei meu tacho de cobre. Com sal e limão, assim como a minha mãe me ensinou, assim como a minha avó faz e provavelmente como a mãe da minha avó fazia.

Esse tacho de cobre eu ganhei da Vó Dete. Um presente de aniversário formidável e veio acompanhado de duas formas de bolo e uma bacia de alumínio.
Ela conta que quando foi comprar, o vendedor disse que não era o presente certo para uma garota de 27, mas ela orgulhosamente rebateu: ” – O senhor não conhece a minha Janaina.”.

IMG_20191224_211542_575Abuela, a senhora acertou, a senhora sempre acerta. A benção. Aprendi a amar a cozinha porque era nela que eu me sentava confortável pra vê-la cozinhando. Foi lá que eu aprendi a trançar massa de rosca e por consequência meus cabelos. Era na cozinha que a vó punha a mesa e todo mundo se reunia pra sarar ou festejar.

Honre seus ancestrais, amem, cuidem, prestem homenagens, aprendam com eles que sobreviveram a muitas coisas antes de você. Alguns a guerra, outros a gripe espanhola, alguns a ditadura e outros a escravidão.

Aprendam as histórias das mulheres da sua família, aprendam como elas deram a luz aos seus pais e aos seus tios. Observem como prendem os cabelos e como se arrumam. Analisem cuidadosamente como elas temperam os alimentos e como cuidam das plantas, como organizam os retratos e os livros. Aprenda com a sua mãe qual o melhor remédio pra cólica ou com a sua madrinha como faz pro mingau não empelotar, procure sua tia pra saber como faz pra tirar manchas de suor da camisa, e ligue pra irmã da sua avó pra desvendar qual é o lado da porta que se deve ter espada de são Jorge, escute sua avó sobre como fazer pra massa não ter gosto de fermento ou sobre os mistérios pra se fazer uma muda de planta.

IMG_20200507_162819115Entenda como se fazia licor, pergunte sobre as músicas da época dela, pergunte de que tecido eram os vestidos, pergunte como eram feitos os vestidos, como eram os partos, investigue se havia alguma comida especial para o pós parto, se tinha alguma reza específica. Pergunte, anote, devore todas as informações que puder.

O sagrado está em você e naquilo que toda sua linhagem te entregou quando você nasceu.
O sagrado está naquilo do passado que você carrega consigo no presente.
#sagradofeminino #tradição

 

**Janaina Lemos é Cientista Social e Mestre em Políticas Publicas pela Unicamp, filha e neta de mineiras fortes, amante incorrigível das artes, quase todas, musicais, da cena, danças, escritas e agora também mágicas. Apaixonada pelos mistérios do sagrado feminino, estudante de magia e membro da Família do Conclave da Rosa e do Espinho.

Uma resposta em “Encontro com a ancestralidade

  1. Jana, quanto orgulho sinto por fazer parte de sua existência.
    Quantas experiências vividas e sempre uma ajudando, amparando e ensinando a outra. Vc é uma estrela que clareia minha existência, te amo e sei que o seu melhor está por vir, seja sempre feliz e eu serei também !!!!

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